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| Professor Marcondes |
A postura mais costumeira entre os políticos despreparados (a quase totalidade), que se constata facilmente, porque é difícil de ser fingida ou dissimulada, é aquela em que o exercício do poder arrebata e consagra aquele que vence um pleito, eleva-o ao pódio das honrarias e usufruto dos benefícios promovidos pelo dinheiro público, concede-lhe o direito de pensar e agir como senhor absoluto da verdade e da justiça, dono incontestável da razão, senhor de todos, dono do lugar.
Exatamente o oposto daquilo que era em campanha, candidato de conduta humilde, humana, benfazeja, que discursava e apresenta-se como portador de todas as soluções possíveis aos problemas do povo, que julgava cada uma das falhas e improbidades dos antecessores, esbanjava promessas de mudanças, melhorias, realizações, e tudo quanto fosse possível fazer pela qualidade de vida do povo. O gestor que esbanja gastos absurdos com o dinheiro público torna-se o vilão de uma história em que começou como mocinho, incurso nos mesmos erros daqueles aos quais condenava para fazer imagem, média de bonzinho.
Ao longo dos tempos, os sucessivos mandatos têm-nos mostrado exatamente essa conduta, essa mesmice odiosa e alienante. Repetidamente os políticos ao serem eleitos modificam-se, tornam-se avessos aos compromissos e promessas feitas em campanha, subestimam as responsabilidades que não lhes pareçam auto-benéficas e centram-se, subordinados às decisões e interesses particulares, priorizando unicamente o quê lhes traga proveito pessoal.
Com a proximidade das eleições, os políticos safados e enganadores, reassumem a conduta da benevolência e descaradamente voltam a investir no que lhes seja favorável ao reconhecimento político, isto é, sejam seus trunfos eletivos para se perpetuarem no poder, manipulam o servilismo usando um povo sofrido, carente e desprovido da mínima consciência política, ignorantes dos preceitos democráticos e do usufruto da cidadania. Esta é a democracia que vivemos! Isto seria realmente democracia? Aproxima-se muito do que se poderia julgar como disfarçada ditadura.
O resultado é que se passa a ter a democracia como um conceito e uma experiência complexos, notadamente contraditórios. A palavra, tomada em seu sentido etimológico, significa poder do povo, ou poder que pertence ao povo. Sugere, portanto, que sua construção aconteça com a participação de todos. Não se concebe um processo democrático com exclusão, discriminação, perseguição, abuso de poder, imposição de vontades pessoais que ferem , frustram a vontade ou a carência do povo.
As experiências democráticas que foram edificadas ao longo da história revelam distintas formas de participação do povo, quer direta ou indiretamente, procedidas com regularidade ou descontinuidade, além de concepções diferenciadas sobre o entendimento do que significa POVO: todos, indistintamente; não somente aqueles que possuem o status de cidadão por serem eleitores, ou apenas os interessados e premiados pela escolha política para participar conscientes ou manipulados de um espaço onde as delícias do poder acontecem em tom festivo.
Todos são cidadãos, mesmo que não esclarecidos, mas obedientes aos deveres e desconhecedores dos direitos que lhes são atribuídos por lei. A democracia abrange também diferenciados espaços e modalidades de participação e pode-se caracterizá-la como um processo contínuo, dinâmico, não concluído e tendente ao aperfeiçoamento. Os espaços se alargam com a própria consolidação da democracia e as modalidades de participação se aperfeiçoam ao longo do processo.
Resta-me a conclusão interrogativa: Em qual contexto nosso processo democrático se processa? Naquele em que o povo é a prioridade e razão do exercício do poder, ou naquele em que uma minoria privilegiada desfruta das regalias e decisão dos poderosos?
Folha de SJB











































































