A Justiça decretou, na quarta-feira (5), a prisão preventiva de Lorizan Telles da Silva, de 18 anos, suspeita de matar a própria filha, a pequena Giovana Júlia Teles Silva, de apenas um ano e seis meses, no município de Bela Vista do Maranhão, na Baixada Maranhense. A decisão foi tomada durante audiência de custódia realizada no Fórum de Santa Inês.

O caso, que chocou moradores da região pela violência e pelas circunstâncias da morte da criança, segue sendo investigado pela Polícia Civil. A mãe permanece presa enquanto as investigações avançam para esclarecer a dinâmica do crime e a motivação. Após passar por exames no Instituto Médico Legal (IML), em São Luís, o corpo da menina foi sepultado na manhã de quarta-feira, sob forte comoção de familiares, amigos e moradores de Bela Vista do Maranhão.
A residência onde a criança teria sido agredida permanece isolada para preservar vestígios que possam auxiliar na investigação. Uma equipe de peritos deve realizar novos levantamentos no imóvel. Durante as buscas, policiais apreenderam uma picareta, um martelo e uma corda fina, objetos que podem ter relação com as lesões encontradas na vítima.
O Ministério Público também acompanha o caso. Conselheiros tutelares de Bela Vista do Maranhão participaram de uma reunião na Promotoria da Infância, em Santa Inês, onde foram iniciados os procedimentos para apurar as circunstâncias da morte da criança e verificar possíveis responsabilidades. Ainda na quarta-feira, parte da residência onde ocorreu o crime foi incendiada por vândalos. O fogo atingiu a área dos fundos da casa, coberta por palha, sem relação com os trabalhos da investigação.

Entenda o caso e depoimentos
A ocorrência foi registrada na última segunda-feira (3), na localidade de Vila Aguiar. Segundo a Polícia Militar, a corporação foi acionada pelo Conselho Tutelar após a criança dar entrada no Hospital Regional Tomás Martins, em Santa Inês, apresentando graves sinais de violência física. A menina chegou à unidade hospitalar com diversas lesões e marcas de estrangulamento provocadas por uma corda no pescoço. Apesar dos atendimentos médicos, ela não resistiu aos ferimentos e morreu durante o traslado para São Luís.
Após o atendimento da criança, a mãe foi conduzida à Delegacia de Polícia para prestar esclarecimentos e acabou se tornando a principal suspeita do crime. De acordo com o delegado Alisson Guimarães, responsável pela investigação, as versões apresentadas por Lorizan Telles apresentaram contradições. Em um primeiro momento, ela afirmou que estava amamentando a filha mais nova, de quatro meses, quando encontrou Giovana gravemente ferida dentro de um quarto da residência e pediu ajuda aos vizinhos.
Posteriormente, durante novo interrogatório, mudou o relato e declarou que estava dormindo, tendo encontrado a criança ferida ao acordar. Ela também afirmou que a porta da casa estava aberta. Segundo a Polícia Civil, até o momento, não foram encontrados elementos que confirmem essa versão. A investigação prossegue com a realização de perícias, coleta de provas e novos depoimentos para esclarecer completamente o caso.
Caso a autoria seja confirmada ao fim da investigação e do processo judicial, a suspeita poderá responder por homicídio qualificado, além de outros crimes que venham a ser apontados pelas autoridades competentes.


