Artigo de César Brito: Rua Baiardo Souza e Silva

Ora lama esvaindo sonhos; ora poeira que mancha, polui, deprecia e sufoca. Cicatrizes da terra que testam a superação e a paciência em busca de atenção e de transformação. Nativos e transeuntes, com a pele enrugada e gasta pelas provações do tempo, carregam olhares de esperança e suor no rosto, mostrando que até os caminhos mais duros se rendem ao tempo e à natureza.

César Brito

Cada cratera representa um abismo de dor que a erosão escavou; sulcos que testam a fé de quem nunca parou. A terra seca consome, e a roda da vida insiste em girar num transporte danoso, pernicioso e arriscado. Destinos em que os trancos da estrada permanecem ocultos e camuflados sob suposta aventura ou um triunfo da alma em provação.

Rua Baiardo Souza e Silva, também conhecida como Estrada da Ponta Grossa, Estrada da PG, estrada do abandono, estrada do esquecimento, dos sofrimentos, dos lamentos, entre outros nomes. Teve, em 2011, um sopro de atenção e esperança com serviços de reforma, transformação e aprimoramento ao longo de toda a sua extensão, tais como: elevação do “grade” (aterro e terraplenagem para nivelamento do solo – perfil de elevação), colocação de manilhas em pontos estratégicos para o escoamento das águas pluviais e a estabilidade do solo, além da aplicação de material laterítico (piçarra), totalizando mais de 200 carradas.

A revitalização da via proporcionou alegria e dignidade para todos. Importante ressaltar que essa ação foi fruto do investimento da iniciativa privada, sem nenhuma participação da administração pública. A estrada que poderia ser uma importante rota de acesso turístico, com aclives, declives e curvas suaves que serpenteiam em meio a belíssimas paisagens e aromas naturais. Um caminho que valoriza a vida e o verde e revela um exuberante portal para o majestoso Lago Aquiri, onde o vento parece sussurrar as boas-vindas, convidando-nos a uma desaceleração gradual e à imersão aos sentidos da natureza.

Lamentavelmente, a Estrada da Ponta Grossa, desde a última, e única, intervenção de revitalização, em 2011, tem sido alvo do abandono, da negligência e do descaso por parte da administração pública. São longos e penosos anos sem a devida e merecida atenção, em um contraste entre a fluidez do belo, do natural e do necessário e a intransigência dos insensatos pensamentos dirigentes.

Essa é a realidade da maioria das estradas vicinais do município de Matinha – MA. A propósito, uma simples pergunta: ATÉ QUANDO? “Uma via amputada, mas o verde insiste em nascer, é a esperança”.

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