Após quatro anos à frente da Secretaria de Estado da Saúde do Maranhão, o ex-secretário Tiago Fernandes fez um balanço de sua gestão e avaliou os principais desafios da saúde pública no estado. Em entrevista, ele afirmou que a prioridade para os próximos anos deve ser a consolidação dos avanços alcançados, com foco na ampliação do acesso aos serviços especializados, fortalecimento da atenção básica e maior integração entre Estado e municípios.

Segundo Tiago Fernandes, a saúde pública exige planejamento e uma rede integrada para garantir atendimento de qualidade à população. Para ele, o Sistema Único de Saúde (SUS) depende da atuação conjunta da atenção básica, dos municípios, da média e alta complexidade, além de financiamento adequado e profissionais qualificados.
Entre os desafios apontados, o ex-secretário destacou a necessidade de reduzir as filas para cirurgias eletivas, ampliar o acesso a médicos especialistas, fortalecer a atenção primária e interiorizar os serviços de alta complexidade, reduzindo a necessidade de deslocamento de pacientes para São Luís.
Ao fazer um balanço da gestão, Tiago Fernandes afirmou que houve avanços significativos na estrutura da rede estadual de saúde. Ele destacou o aumento do número de atendimentos hospitalares, da realização de cirurgias, da expansão dos serviços de hemodiálise para todas as regiões do estado e o fortalecimento de programas como o “Cuidar dos Olhos”, que levou atendimento oftalmológico aos 217 municípios maranhenses.
O ex-secretário também ressaltou a ampliação de serviços considerados estratégicos, como transplantes, tratamento de Acidente Vascular Cerebral (AVC), cardiologia de alta complexidade e implante coclear, além do fortalecimento da telemedicina e de ações preventivas. Sobre a alta complexidade, Tiago Fernandes defendeu que o caminho não passa apenas pela construção de novos hospitais, mas pelo fortalecimento da estrutura já existente. Segundo ele, é necessário investir em equipes, equipamentos, custeio e regulação para garantir o pleno funcionamento das unidades de saúde.
Como exemplo, citou a implantação de novos serviços especializados no interior do estado, destacando o Hospital da Região Tocantina, em Imperatriz, que passou a ser referência em atendimento cardiovascular adulto e pediátrico para a região.

Redução das filas cirúrgicas
Em relação às filas por cirurgias eletivas, Tiago Fernandes atribuiu parte do problema ao represamento provocado pela pandemia da Covid-19, quando milhares de procedimentos precisaram ser adiados em todo o país.
Segundo ele, a redução da espera depende de planejamento, organização da regulação, ampliação da capacidade cirúrgica, equipes completas e integração entre consultas, exames e procedimentos. O ex-secretário afirmou que, durante sua gestão, houve aumento da produção cirúrgica da rede estadual e realização de mutirões para diminuir o passivo acumulado.
Parceria com os municípios
Outro ponto defendido por Tiago Fernandes foi o fortalecimento da parceria entre Estado e municípios. Ele destacou que o sucesso do SUS depende da atuação conjunta dos entes públicos, especialmente no fortalecimento da atenção básica.
Entre as ações citadas está o programa “Cuidar de Todos”, que promoveu apoio às Unidades Básicas de Saúde (UBSs), distribuição de equipamentos, tablets, uniformes e capacitação das equipes da Estratégia Saúde da Família.

Falta de especialistas
O ex-secretário reconheceu que ainda existe carência de profissionais em especialidades como reumatologia e hematologia, realidade que, segundo ele, afeta todo o país.
Como alternativas, defendeu a ampliação da telemedicina, realização de mutirões especializados, incentivo à formação de novos especialistas, expansão dos programas de residência médica e criação de políticas para estimular a fixação desses profissionais no interior do estado.
Financiamento do SUS
Ao abordar o financiamento da saúde pública, Tiago Fernandes afirmou que o SUS continua sendo subfinanciado e defendeu maior participação do Governo Federal no custeio da rede estadual.
Segundo ele, entre 70% e 80% dos recursos destinados à saúde no Maranhão são provenientes do próprio Governo do Estado, enquanto os repasses federais representam entre 20% e 30% do orçamento, percentual que considera insuficiente para atender às necessidades da população.
Apesar das limitações orçamentárias, o ex-secretário afirmou que o Maranhão conseguiu ampliar a rede de atendimento, fortalecer os hospitais regionais, expandir os serviços especializados e aumentar o número de cirurgias realizadas, defendendo que planejamento e gestão eficiente são fundamentais para garantir a continuidade dos avanços na saúde pública estadual.


