Artigo de João Carlos Costa Leite: A história se repete: uma homenagem ao velho Karl

Das inúmeras citações do filósofo, economista, sociólogo, historiador, teórico político, revolucionário, jornalista alemão Karl Marx, (1818 a 1883), doadas a humanidade, a que mais chama atenção, não só pelo tom profético, – outras também foram -, mas pela assiduidade em ocorrer ao longo de gerações, é: “A História se repete, a primeira vez como tragédia, e a segunda como farsa”.

Escriitor João Carlos

Registrada no livro “O 18 de Brumário de Luís Bonaparte” de 1852, em sua página inicial, com base em escritos do filósofo alemão Friedrich Hegel. A obra relata eventos históricos da França do século XIX, sob o domínio político napoleônico, seja do primeiro, o Bonaparte, autoproclamado imperador em 1804, ou Napoleão III, contemporâneo de Marx. Essa profecia acontece no presente e no passado também.

As mais recentes, a seleção da Alemanha ganhar de Curaçao por 7 x 1, uma triste memória para o povo brasileiro; a vitória do Irã na guerra contra os poderosos Estados Unidos da América, reedição da luta bíblica, Davi x Golias. Poderíamos citar ainda, a profusão de golpes, ascensão de tiranos, famílias, que retornam ao controle de Estados, nações, países, após trágicos governos. Um “deja vu” macabro.

Profecias ou profetadas, são peças importantes do projeto de poder de certo espectro político que tenta renascer hodiernamente. Por si só exemplificando o que estamos escrevendo, uma vez que fizeram o mesmo movimento na década de 20 do século passado. No olhar dos próceres desse campo, que nada tem de democrático, o fundamento religioso possui imenso efeito, mantendo os membros unidos escatologicamente num objetivo, crença arraigada aos valores que pregam.
Cegos, surdos, mudos, a realidade que os cerca. A religiosidade, funciona como amálgama dos conceitos propagados, dando vazão a outro ditado criado por Karl, que resumidamente significa “a religião é o ópio do povo”.

Tragédias e farsas, são amiúdes no teatro da vida desde priscas eras. Agem separadamente no tablado colossal que é a história humana, juntam-se, no entanto, a partir de um modelo nomeado pelo dramaturgo romano Plauto, existente desde a Grécia Antiga, as tragicomédias. Não por coincidência, nestas, coabitam personagens fictícios, deuses, semideuses, magia; com verdadeiros, reis, governantes, povo. Os protagonistas de hoje – países, nações -, diferem bastante dos de outrora.

Se antes havia as rotas da seda, especiarias, procura das Indias, caça a produtos de consumo, escravos, pirataria, busca de novos mundos, conduzidos por hordas de guerreiros, montados, ou através de navios, objetivando o comércio. A feição atual mostra -se geopoliticamente diversa. Os interesses também não são os mesmos, consequentemente, modificando metas, escopos, resultados. Matrizes energéticas, financeiras, do trabalho, lazer, comunicação, gênero, família, drogas, transporte, meio ambiente, etc, não são nem sombra do que eram, quando Marx lançou suas obras.

Os massacres, genocídios, holocaustos, ditaduras, perversões, degradações, injustiças, preconceitos, armas, fome, desnutrição, opulência de alguns, toda a sorte de mazelas, continuam. E aumentando em progressão geométrica. A ciência se multiplicou, nos comunicamos direto e ao mesmo tempo em qualquer lugar do planeta. Temos robôs em Marte, transmitindo mensagens em tempo real, já fomos inclusive à Lua e mais de uma vez.

Os paradigmas propostos pelo criador do Capital e do Manifesto Comunista, com a coautoria do amigo/colaborador Friedrich Engels, revolucionaram, trazendo amplos, alvissareiros debates no seio da sociedade. Premissas são testadas, discutidas, amadas, odiadas, combatidas. Oportunizando novos elementos, projetando consequências, outra forma de olhar, experenciar o planeta. O Universo até. O mundo segue impassível, resoluto, morada única, mutável aos desígnios humanos, seres que se acham racionais.

“Pero no mucho”

Uma certeza persiste nas almas, corações, de bilhões de pessoas. Aquela postagem, em 1852, numa obra famosa, de autor que virou ícone, odiado/ amado por gerações, massas populares, e que queiramos ou não, mantém-se motivando, atuando, direcionando, digladiando, pulsando: “A HISTÓRIA SE REPETE, A PRIMEIRA VEZ COMO TRAGÉDIA, E A SEGUNDA COMO FARSA”.

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