Com a família no poder há quase 50 anos, gestão de Zé Martins atribui à oposição crise financeira em Bequimão

Com a família há quase 50 anos no comando político de Bequimão, a gestão do prefeito Zé Martins voltou ao centro do debate público após a divulgação de uma nota em que a prefeitura atribui à oposição parte da responsabilidade pela atual crise financeira do município. No entanto, o documento recebeu uma avalanche de críticas, principalmente porque a família do gestor está no poder há quase meio século.

Prefeito Zé Martins

Segundo o comunicado, decisões recentes envolvendo mais de 200 processos resultaram no bloqueio de cerca de R$ 3,8 milhões, afetando áreas como educação, assistência social e a folha de pagamento dos servidores. A gestão afirma que a maior parte dos débitos tem origem em administrações anteriores a 2013, mas alerta que a forma como os pagamentos vêm sendo executados — com retenções simultâneas — tem agravado a situação financeira do município.

Apesar de reconhecer o direito dos trabalhadores ao recebimento dos valores, a prefeitura critica o modelo de execução das decisões judiciais e defende maior equilíbrio para evitar prejuízos aos serviços essenciais. Apesar disso, a prefeitura informou ainda que já adotou medidas judiciais para tentar reverter parte dos bloqueios, mas admite que a continuidade dos serviços públicos e o pagamento em dia dos servidores seguem sob risco caso a situação não seja resolvida.

Família governa há quase 50 anos

O documento recebeu diversas críticas dos moradores, que usaram as redes sociais da própria gestão para criticar a nota e relembrar o atual gestor que a família dele governou nos últimos anos. Nos bastidores políticos, o tema tem gerado controvérsia. O prefeito Zé Martins, que já foi eleito três vezes (2012, 2016 e 2024), atribuiu parte das dificuldades à atuação da oposição local.

O cenário político de Bequimão é marcado pela longa permanência da família Martins no poder. O pai do atual prefeito, Juca Martins, governou o município por quatro mandatos. Já o primo do gestor, João Martins, esteve à frente da prefeitura entre 2020 e 2024. Com quase meio século de influência política na cidade, críticos apontam que a atual gestão tenta transferir responsabilidades, enquanto aliados defendem que a crise é resultado de passivos acumulados e decisões judiciais recentes.

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