Na COP30, mulheres discutem financiamento e denunciam mortes de quebradeiras de coco babaçu da Baixada Maranhense

O Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) marcou presença de forma expressiva na COP30, realizada em Belém do Pará, levando a voz, a arte, a resistência e as demandas urgentes das mulheres que vivem dos babaçuais na Amazônia e no Cerrado. Entre painéis, marchas e atos culturais, as quebradeiras reforçaram a centralidade de seus territórios na agenda climática global.

Rosa Gregória denunciou mortes de quebradeiras de coco

No painel “Justiça Climática sob Perspectiva de Gênero: financiando futuros sustentáveis”, a representante da Regional Baixada Maranhense, Rosa Gregória, destacou os desafios enfrentados por mulheres e comunidades tradicionais para acessar mecanismos de financiamento climático. Rosa trouxe ao debate relatos contundentes sobre violações vividas nos territórios, incluindo casos de mulheres quebradeiras que perderam a vida enquanto buscavam o coco babaçu por conta de conflitos fundiários e violência.

A apresentação da liderança natural de Viana emocionou os participantes. Ao subir ao palco, Rosa denunciou as agressões, expulsões e cercamentos que ameaçam diariamente os babaçuais e a sobrevivência das mulheres que deles dependem. “O que mostramos aqui não é só teatro. É a vida real das mulheres que enfrentam violência, expulsões, cercas e tentativas de destruir nossas palmeiras. Eu estou hoje na faculdade graças à luta do MIQCB e à força do nosso Centro de Formação. A arte é a nossa arma para denunciar e seguir resistindo”, declarou, recebendo aplausos intensos e emocionados do público.

A participação das quebradeiras na COP30 reforçou a importância de reconhecer o papel essencial dessas mulheres na preservação dos territórios, na manutenção da biodiversidade e na construção de soluções sustentáveis para a Amazônia e o Cerrado. A atuação do MIQCB evidenciou que justiça climática também passa pelo reconhecimento e pela proteção das comunidades tradicionais.

Cúpula dos Povos

Na manhã deste sábado (15), o movimento também teve presença destacada na Marcha Global pelo Clima, ato central da Cúpula dos Povos. Cerca de 100 mulheres das seis regionais do MIQCB — Maranhão, Pará, Tocantins e Piauí — caminharam pelas ruas de Belém levando chapéus de palha, cantos, bandeiras e místicas que evocam memória, identidade e ancestralidade. A delegação abriu o ato com cantos tradicionais, reforçando a espiritualidade e a resistência que marcam a trajetória das quebradeiras.

A marcha reuniu milhares de pessoas, entre povos e comunidades tradicionais, juventudes, especialistas e organizações de mais de 60 países. A presença das quebradeiras deu visibilidade a uma pauta inegociável: não existe clima sem território; não existe justiça climática sem as mulheres que mantêm a floresta viva.

Com forte mobilização, o MIQCB levou quase 100 mulheres do Maranhão para a COP30 e iniciou sua participação na Cúpula dos Povos reafirmando o compromisso histórico das quebradeiras de coco babaçu com a defesa dos recursos naturais, o combate às desigualdades e a construção de um futuro climático justo, inclusivo e sustentável.

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