Duas ocorrências envolvendo idosos vítimas de crimes financeiros na Baixada e Litoral Maranhense têm chamado a atenção para a crescente vulnerabilidade desse grupo diante de golpes sofisticados. Os casos aconteceram nos municípios de Santa Helena e Bacuri e causaram prejuízos que, somados, ultrapassam R$ 10 mil.

No primeiro caso, uma senhora residente na zona rural de Chapadinha, em Santa Helena, foi abordada por duas mulheres logo após sair de uma agência do Banco Bradesco, na última terça-feira (1º). Segundo relato da família, as suspeitas ameaçaram a idosa e a obrigaram a realizar um Pix no valor de R$ 2 mil. Em seguida, levaram sua bolsa contendo dinheiro, cartão bancário e documentos pessoais. As criminosas ainda realizaram compras usando os dados da vítima, totalizando um prejuízo estimado em R$ 7 mil.
“Já foi feito boletim de ocorrência, mas nem daqui essas mulheres são. Os extratos bancários mostram nomes como ‘Márcia’ e ‘Crediário São José’, mas não conseguimos identificar a localidade onde as compras foram feitas. Já conseguimos imagens de câmeras de segurança e levamos à delegacia. Agora, estamos tentando recuperar os documentos. Os cartões só conseguimos bloquear horas depois, porque ela voltou pro interior sem saber o que fazer e só nos procurou à noite”, relatou um familiar da vítima.

Outro caso
O segundo caso envolve Raimundo Nonato Silva, de 67 anos, morador do povoado Portugal, em Bacuri. Ele foi alvo de uma fraude bancária que envolveu ações coordenadas em ao menos quatro municípios maranhenses. De acordo com as investigações, criminosos transferiram sua aposentadoria do Banco Bradesco, em Bacuri, para uma conta no Banco do Brasil, em Aldeias Altas. Posteriormente, solicitaram um novo cartão com chip, que foi enviado pelos Correios e interceptado pela quadrilha.
Na manhã da última sexta-feira (26), às 6h28, um integrante do grupo sacou todo o benefício em uma agência do Banco do Brasil no município de Paulo Ramos. As autoridades já estão investigando o caso, que foi encaminhado à Justiça. Fontes próximas à apuração não descartam a possibilidade de envolvimento de uma organização criminosa maior, com possíveis ligações políticas.
A recorrência desses crimes tem gerado apreensão entre familiares e moradores das comunidades afetadas. Além das perdas financeiras, os golpes deixam marcas emocionais nas vítimas, que muitas vezes têm dificuldade de acesso a informações ou meios de proteção. “Infelizmente, muitos idosos não sabem como agir nessas situações. Falta orientação, segurança e, principalmente, resposta rápida das instituições bancárias e autoridades”, lamenta um morador.
A Polícia Civil segue investigando os casos e reforça a importância de denunciar qualquer movimentação suspeita, além de buscar apoio imediato junto às agências bancárias em casos de perda de documentos ou cartões.


