Diretora do Hospital Municipal de Bequimão pede demissão após escândalo de falso médico na gestão de Zé Martins

A diretora do Hospital Municipal Lídia Martins, Jannyslea Matos, que também é vereadora da cidade de Bequimão, pediu demissão do cargo nesta semana, em meio à crise deflagrada após a prisão de um falso médico que atuava irregularmente na unidade de saúde. A situação ganhou grande repercussão no município da Baixada Maranhense e gerou cobranças diretas à gestão do prefeito Zé Martins.

Vereadora ao lado do prefeito Zé Martins

Segundo nota oficial divulgada pela Prefeitura de Bequimão, o pedido de afastamento foi feito pela própria diretora com o objetivo de “assegurar isenção e transparência na sindicância instaurada para investigar o caso”. Jannyslea atuava há 12 anos na área da saúde municipal, sendo reconhecida como uma profissional de dedicação contínua ao hospital local.

“Essa atitude reflete a postura de uma profissional íntegra (…). Agradecemos a dedicação da enfermeira Janny à frente do hospital e reiteramos que o processo administrativo seguirá com rigor”, diz a nota assinada pelo prefeito. “Um caso isolado e grave deve ser tratado com responsabilidade, com uma apuração rigorosa e correção de eventuais falhas. Mas, em momentos assim, é importante também destacarmos nossos acertos e, principalmente, valorizar o que é nosso e os nossos profissionais. Essa é a postura de uma gestão comprometida com o trabalho e com o bem-estar da população”, declarou a diretora, em suas redes sociais.

Prisão aconteceu dentro do hospital

Prisão em flagrante e exercício ilegal da medicina

O escândalo veio à tona no dia 10 deste mês, quando a Polícia Civil do Maranhão prendeu em flagrante um homem de 40 anos, acusado de exercer ilegalmente a medicina no Hospital Lídia Martins. As investigações revelaram que o suspeito utilizava de forma fraudulenta o carimbo e o número do CRM de um médico regularmente inscrito, atuando em atendimentos e, possivelmente, em procedimentos cirúrgicos.

Segundo informações da polícia, o verdadeiro médico descobriu a fraude e denunciou o caso às autoridades. O investigado teria se formado em medicina na Bolívia em 2022, mas não foi aprovado no Revalida, exame obrigatório para validar diplomas estrangeiros no Brasil. Mesmo sem autorização legal, ele atuava nos plantões do hospital.

A Prefeitura confirmou que o acusado não possuía contrato direto com o município, mas era supostamente pago por outros médicos para cobrir plantões de forma informal — prática que agora é alvo de apuração. A gestão municipal reforçou que não havia vínculo funcional entre o falso profissional e a administração pública. Diante da gravidade da denúncia, o prefeito Zé Martins determinou, por meio de decreto, a abertura de processo administrativo e fixou um prazo de cinco dias para que todos os profissionais de saúde do município apresentem documentação atualizada, incluindo diplomas, registros profissionais e autorizações para exercício da profissão.

Repercussão e investigação

O caso causou forte comoção nas redes sociais e foi alvo de críticas de ex-integrantes da própria gestão. O ex-vice-prefeito e advogado Cesar Cantanhede publicou uma nota de repúdio nas redes sociais: “Me sinto triste e envergonhado em trazer tal notícia. Já precisei de atendimento médico e recebi um serviço de negligência que trouxe danos à minha saúde. Quantas vidas foram ceifadas por terem sido cuidadas por um falso médico?”, questionou.

A Polícia Civil segue com as investigações para identificar todos os envolvidos no esquema, incluindo possíveis médicos que terceirizavam seus plantões de maneira irregular. A Prefeitura informou que colabora com as autoridades e garantiu que os responsáveis serão punidos conforme a lei.

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