Lideranças se reúnem para construir plano de desenvolvimento da Baixada Maranhense para a próxima década

Com o objetivo de traçar diretrizes para o futuro da Baixada Maranhense e do Litoral Ocidental, aconteceu na última terça-feira (26) o Encontro de Construção do Plano Estratégico de Desenvolvimento da Baixada Maranhense, na sede do Multicentro Sebrae, em São Luís. O evento reuniu representantes de mais de 20 municípios da microrregião, além de lideranças do setor público, empresarial e da sociedade civil.

Encontro realizado em São Luis

A programação iniciou com um momento cultural marcante: o cantor e compositor Josias Sobrinho emocionou o público com canções que refletem o êxodo de moradores da Baixada em busca de novas oportunidades, como a música “De Cajari pra Capital”, entoada em coro pelos participantes. A apresentação abriu espaço para reflexões sobre os desafios da região e o sentimento de pertencimento dos baixadeiros.

O superintendente do Sebrae/MA, Albertino Leal, deu as boas-vindas e reforçou o compromisso da instituição com a região. “A Baixada é uma terra abençoada, rica em potencial, mas que precisa de investimentos e de um plano sólido para alcançar o desenvolvimento sustentável”, afirmou. A gerente de Empreendedorismo Territorial do Sebrae, Hildenê Maria, destacou a importância da construção coletiva do plano. “Este é o momento de unir forças entre poder público, empresários, comunidades e instituições para transformar ideias em ações concretas e eficazes.”

Representando o Fórum da Baixada, João Silveira utilizou a parábola “Quem planta tâmaras, não colhe tâmaras” para ilustrar que o plano em debate é voltado às futuras gerações. Em seguida, João Martins, ao lado do pastor Silveira, que conduziu uma oração, lembrou que o Fórum foi oficialmente criado em 2015 e tem atuado desde então com o apoio de instituições como o Sebrae.

O atual presidente do Fórum, Expedito Moraes, destacou que o pedido de apoio ao Sebrae partiu de um sonho coletivo por dias melhores. “Queremos uma Baixada com mais oportunidades, saúde, educação e renda. Esses desejos estão presentes nas conversas nas praças, igrejas e comunidades”, declarou. A facilitadora do Programa LIDER, Eulália Oliveira, apresentou a metodologia do encontro. Inspirada pela música de abertura, ela denominou o evento como “Da Capital pra Cajari”, em referência à reversão simbólica do movimento migratório – levando ideias e ações da capital para o interior, por meio dos próprios baixadeiros.

Retrospectiva e perspectivas

Durante o encontro, os participantes fizeram um diagnóstico da última década (2015–2024), elencando os principais avanços e desafios enfrentados pela região. Entre os pontos positivos, destacaram-se:

  • Criação do Fórum da Baixada (2015);

  • Construção da ponte Central–Bequimão;

  • Implementação de IEMAs e IFMAs;

  • Início das obras da Barragem Maria Rita;

  • Avanço da piscicultura e apicultura;

  • Fortalecimento da cultura e do turismo regional;

  • Desenvolvimento de infraestrutura como a Estrada do Peixe e o Terminal Portuário.

Já entre os principais problemas identificados, constaram:

  • Estiagens prolongadas e cercamento de campos naturais;

  • Avanço da criminalidade e presença de facções;

  • Deficiências no transporte aquaviário (ferry boats) e na MA-014;

  • Assoreamento de rios e salinização de áreas produtivas;

  • Falta de macrozoneamento e escassez de mão de obra especializada;

  • Impactos da pandemia da Covid-19 nas atividades econômicas.

Propostas para os próximos 10 anos

A etapa mais estratégica do evento foi a construção coletiva das metas para os próximos dez anos (2025–2035), com propostas distribuídas em três eixos: Negócios Rurais, Infraestrutura e Desenvolvimento Humano. Entre as ações prioritárias, destacam-se:

  • Implantação de polos de piscicultura, apicultura e carcinicultura;

  • Regularização fundiária de comunidades quilombolas;

  • Criação de programas de capacitação para jovens;

  • Conclusão da Barragem Maria Rita e da travessia Anajatuba–São João Batista;

  • Construção da Rodovia Transoceânica (Pará–Maranhão) e Ferrovia Alcântara–Sul;

  • Combate à salinização e dessalinização de poços;

  • Ampliação de hospitais e ações de saúde preventiva;

  • Incentivo ao cooperativismo e ao associativismo;

  • Inserção da História e Geografia da Baixada nos currículos escolares;

  • Realização de feiras de turismo, agronegócio e literatura.

As ações foram organizadas conforme os prazos de execução (curto, médio e longo), com responsáveis definidos. O Sebrae, por meio de sua equipe técnica, será responsável pela sistematização dos dados e pela produção do documento oficial que comporá o Plano Estratégico de Desenvolvimento da Baixada Maranhense.

Compromisso com o futuro

Ao final do evento, o Fórum da Baixada agradeceu a todos os participantes e ao Sebrae/MA pelo apoio técnico e institucional, reafirmando o compromisso de seguir mobilizando os municípios e a população na busca por um futuro mais justo, inclusivo e sustentável. “Estamos lançando as sementes de um novo tempo para a Baixada. Um tempo de esperança, planejamento e ação”, resumiu Expedito Moraes, encerrando o encontro.

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