Nova espécie de inseto é descoberta em cidade da Baixada Maranhense e publicada em revista da Nova Zelândia

Uma professora da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) descobriu uma nova espécie de inseto e publicou a pesquisa na Zootaxa, revista neozelandesa especializada em Taxonomia Zoológica, criada em 2001, e é responsável pela publicação de quase um quarto das espécies novas de animais descritas desde o ano de 2018.

Nova espécie de inseto foi descoberta na Baixada

Os trabalhos foram liderados por Mahedy Passos, professora de Biologia da UFMA, que publicou, recentemente, artigo na revista Zootaxa. A pesquisa intitulada “Neotrichia anamariae sp. nov.: The first record of Neotrichia Morton 1905 (Trichoptera: Hydroptilidae) from Maranhão State, Northeast Brazil” traz o primeiro registro do gênero Neotrichia Morton no estado do Maranhão. A espécie denominada “Neotrichia anamariae” foi nomeada em homenagem à professora Ana Maria Silva de Araujo, do Curso de Agronomia da Uema.

A espécie foi descoberta em São Bento, na Baixada Maranhense. Em entrevista cedida à Diretoria de Comunicação (Dcom), da UFMA, a professora aprofunda temas centrais da nova conquista para o estado do Maranhão. Motivações, etapas da pesquisa, processo de nomeação, e sentimentos da pesquisadora são alguns dos assuntos tratados. Acompanhe abaixo:

Dcom: Fale um pouco sobre você

Mahedy Passos: Amazonense e Bióloga, sou recém-chegada da Amazônia. Atualmente, atuo como professora substituta de Biologia na Universidade Federal do Maranhão (UFMA-Colun). Com doutorado e mestrado pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e graduada em Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Autora do livro PANC É POP, sobre Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC), com experiência em ensino e pesquisa relacionados a conservação e uso da biodiversidade. No Maranhão, também fiz parte do corpo docente como substituta do curso superior de Fruticultura, da Universidade Estadual do Maranhão (Uema), localizada na Baixada Maranhense. Em Roraima, atuei como professora de biologia e tecnologia de frutas e hortaliças no Curso de Agroindústria de Alimentos do Centro Estadual de Educação Profissional. Além disso, sou colaboradora em projetos sobre biodiversidade de insetos aquáticos, para o biomonitoramento, controle e qualidade de água em plantios agroecológicos.

Dcom: Como sua descoberta sobre a espécie ocorreu? Quais as etapas da pesquisa?

Mahedy Passos: Os insetos aquáticos são componentes importantes da biota aquática, reciclando a matéria e tornando-a disponível para os outros níveis tróficos, podendo ser utilizados, inclusive, em programas de biomonitoramento da qualidade ambiental. Para isso, é importante conhecer as espécies encontradas nas localidades de interesse, bem como a forma como esses organismos interagem com o ambiente. Em 2015, em parceria com o professor Dr. Jaime de Liege Gama Neto, da Universidade Estadual de Roraima (Uerr), eu iniciei uma série de trabalhos visando conhecer a fauna de insetos aquáticos do estado de Roraima. As pesquisas evoluíram e estabelecemos parcerias com Instituições dos estados do Pará e do Maranhão, para conhecermos a fauna de insetos aquáticos desses estados. No Maranhão, escolhemos dar início às pesquisas pela região da “baixada maranhense” por se tratar de um ecossistema peculiar dentro do estado do Maranhão, submetido a diversos impactos ambientais. O trabalho iniciou em uma área alagada do município de São Bento, onde, entre outras espécies identificadas, nós encontramos a espécie nova que descrevemos.

Dcom: Como ocorreu a nomeação da espécie?

Mahedy Passos: O código Internacional de Nomenclatura Zoológica permite aos autores nomearem as espécies homenageando pessoas. Dessa forma, decidimos homenagear a professora Dr. Ana Maria Silva de Araujo, do Curso de Agronomia da Uema, propondo o nome Neotrichia anamariae. O termo “anamariae” é uma referência ao nome da professora Ana Maria. A homenagem se faz como uma forma de reconhecimento ao trabalho de uma maranhense que tem dedicado sua vida acadêmica ao desenvolvimento científico, tecnológico e econômico do Maranhão.

Dcom: O que os motivou a publicarem o artigo na revista Zootaxa?

Mahedy Passos: Zootaxa é uma revista da Nova Zelândia, criada em 2001 e que se transformou rapidamente em um “mega-journal” responsável pela publicação de quase um quarto das espécies novas de animais descritas nos últimos cinco anos. O que nos leva a escolher a Zootaxa como forma de divulgação das nossas descobertas, com um número considerado de publicações anteriores e uma mais recente sobre outra espécie nova no Pará, além da possibilidade de publicação sem custo, é o fato de se tratar de uma revista internacional especializada em Taxonomia Zoológica, que publica diariamente artigos científicos de alta qualidade, revisados por pares e obedecendo os rigores científicos, além de ser acessada por pesquisadores do mundo todo, sendo a principal fonte de divulgação das pesquisas em taxonomia zoológica.

Dcom: Como você se sente com essa conquista?

Mahedy Passos: Como filha de um maranhense e apaixonada pelo estado do Maranhão, esse trabalho tem um valor particularmente afetivo, pois representa o início de um trabalho que ainda avançará muito e que permitirá, em curto espaço de tempo, conhecermos a fauna de insetos aquáticos da “baixada maranhense” e indicarmos ações para mitigação dos impactos sofridos por esse ecossistema singular do estado.

Dcom: Deixe um recado final para os leitores, Mahedy

Mahedy Passos: Convidamos os leitores a acessarem parcialmente o artigo publicado através do link e a acompanharem os nossos trabalhos através das nossas redes sociais (Instagram: mahedy_passos) Fonte: UFMA

Professora responsável pela publicação

2 respostas para “Nova espécie de inseto é descoberta em cidade da Baixada Maranhense e publicada em revista da Nova Zelândia”

  1. Nossa! Fiquei chocado com essa notícia!
    E o Maranhão segue sendo o estado mais pobre do Brasil e, continua sendo governado pela mesma corja de sempre…

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