São Vicente Ferrer, 160 anos…

Professor Fábio Teixeira

Reverencio aqui a nação tapuia nossos primeiros ancestrais, verdadeiros donos destas planícies.  Reverencio aqui os colonizadores europeus homens destemidos do além mar. Reverencio aqui os negros africanos que foram braços e pernas dos colonos na exploração das riquezas desta terra. São os teus solos férteis para agricultura, são as tuas pastagens boas para criação de animais, são os teus campos piscosos, todas estas riquezas naturais atraíram a cobiça dos colonizadores sedentos de riqueza e poder no final do Séc. XVIII. Estes forasteiros do além-mar de punho da espada e da cruz em nome da civilização dizimaram a nação tapuia e escravizaram a nação africana.

Em nome do poder estatal tu és fundada como freguesia por meio da previsão régia do ano de 1805. Já nos anos de 1856, por meio da lei provincial Nº 432 de 27 de agosto desse mesmo ano, tu és elevada a categoria de vila. No sec. XX tu és reconhecida legalmente como cidade pelo Decreto – Lei estadual Nº 45 de 29 de março de 1938. Tu nasces tapuia, és batizada como portuguesa. O teu nome é de um Santo espanhol nascido em Valência pelos idos do Séc. XIV, mas quem te amamenta são os seis africanos. Os teus olhos são multicores.

A tua pele é branca, negra e parda. Os teus cabelos são castanhos e crespos. O teu aspecto religioso é de tradição católica. A tua igreja católica, que hoje enaltece a beleza da tua praça, foi erigida no ano de 1949 sob o comando do Padre Eider, mas tu cultuas a religião africana que africanizou o catolicismo (sincretismo religioso). É no ano de 1904 que tu aderes ao protestantismo sob o comando do Rev. V. Themudo abrindo as portas para outras igrejas evangélicas. É no séc. XX que tu te defines como cidade. As tuas ruas, os teus quarteirões, as tuas esquinas, as tuas casas de adobe, de palha, de barro e alvenaria. Os teus telhados de palha e de telha.

O teu comércio, que vendeu por muito tempo produtos arretalhos: meia quarta de café, meio quilo de açúcar, pomada sem perfume, pílula contra, manteiga, óleo de soja e azeite, pílula bezerra para combater a tua verminose, fumo faria, folha de mascar e cigarro de palha, açúcar mascavo enrolado em papel marrom, um litro de querosene para acender as tuas lamparinas. Tu continuas revolucionando a tua arquitetura comunitária: Prefeitura, Igreja católica atual, Mercado da Praça, Delegacia, Escola Profª Ana Mota, Escola Dr. José Arouche, Hospital municipal, Centro de Abastecimento, Estádio municipal, Praça da Matriz, Praça do Mercado, Praça de Eventos, Farol de Educação, Educandário São Vicente Férrer, Assembleia de Deus e demais igrejas Evangélicas.

São Vicente Férrer, Paraíso da Baixada, Acrópole grega, Jardim da Babilônia, Palácio da Alexandria, Cidade Luz, Cidade Maravilhosa, Coração da Baixada. Oh, Minha cidade de encantos e desencantos. Oh, minha cidade de alegrias e tristezas. Oh, minha cidade a tantas gerações já deste a luz. Oh, minha cidade, mãe de milhares de filhos, que vivem no teu solo e espalhados pelo mundo afora. A tua prole é vicentina, trabalhadora,  acolhedora, ousada e valente. Oh, minha cidade parabéns pelos teus 160 anos de vila e de emancipação política.

Profº Fábio Teixeira é professor de História e de Filosofia na escola Profª Ana Mota da Rede estadual de Ensino no Município de São Vicente Férrer-Ma.

Uma resposta para “São Vicente Ferrer, 160 anos…”

  1. As maiores tristezas de “Oh minha CIDADE” foram quando seu prefeito passou 8 anos ferrando “Oh minha CIDADE” e você com aquelas lorotas de JORNALADAS da Educação que só serviam para NADA.

Deixe uma resposta para Marcinho Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *