VITIMISMO: A ARTE DE CULPAR OS OUTROS, POR ASSIS ARAÚJO

Por Assis Araújo

Assis Araújo

Segundo estudiosos, o vitimismo tem como principal característica atribuir as coisas ruins e inesperadas da vida a outros fatores ou a outras pessoas. É considerado um tipo de transtorno que traz ao vitimista uma postura negativa ao se comportar como um mártir sofredor. Resistente a mudanças não consegue assimilar que a crítica pode ser algo construtivo, é incapaz de discernir e avaliar de forma racional as situações embaraçosas provocadas por ele mesmo. Tende a ter em alguns casos, dificuldade nas relações interpessoais.

A psicóloga Camila Mereze defende que não é fácil para um indivíduo acometido desse transtorno, conseguir tomar consciência da realidade e aconselha: “se você ouvir de muitas pessoas que está fazendo as coisas erradas e se comportando como o dono da razão, se esforce para refletir e concordar com eles”. Acrescenta que a mudança de atitude requer muita força de vontade, pois exige que o indivíduo saia daquela zona de conforto. Quem de nós já não conviveu com pessoas com esse tipo de transtorno?

Na nossa casa, na escola, no trabalho, na igreja e até no meio político, onde o vitimista tem uma freqüência bem mais evidente; neste caso vou concordar com a tese do psicólogo Luiz Gaspareto, é de fato, “o jogo do coitadinho”. Para esse diagnóstico se dispensa o psicólogo, pois na realidade, ele faz esse jogo com a mais pura consciência, tem apenas um surto momentâneo, provocado por ele mesmo de acordo com a conveniência, onde encarna o mais competente artista. Quando chega ao poder então!…, Aí a situação piora, não há pai de santo que dê jeito, só ele que ta certo se vale das couraças da autodefesa e não admite que cometeu o menor erro e os outros é que precisam mudar.

Torna-se um “expert” em matéria de distorção da realidade, capaz de criar histórias (fábulas) da própria vida para comover as pessoas e tentar convencê-las de que ele é apenas a vítima, na realidade é auto-vítima. Demônio de muitas faces é um obcecado na busca de subterfúgios que justifiquem o peso da sua própria culpa. Um verdugo! que não é vivente sem alguém para vitimar. Alguns políticos precisam entender de uma vez por todas que o fracasso de uma gestão quase sempre é motivado pela ineficiência, por decisões insensatas, falta de autonomia, e principalmente pela acentuada fuga da responsabilidade em assumir seus reveses.

Ninguém colocou armas na cabeça de ninguém para fazer endividamentos incalculáveis e irreversíveis, muito comuns nas administrações públicas, simplesmente, isso se chama inoperância e falta de sensibilidade em focar no simples, no essencial. Tentar cobrir a sua casa destelhando a dos outros é o pior dos hábitos, demonstra um claro estágio letárgico, excessivamente apático e sonolento sem nenhum poder de reação. Essa insistência nesse raciocínio tortuoso, definitivamente o fará perder a oportunidade de aprender com os próprios erros.

Recomendo aos maus e fracassados políticos que não percam o seu tempo criando desculpas mordazes, ásperas, cáusticas, injustas ao jogar os equívocos provocados por si mesmo nos ombros dos outros de forma latente e ao mesmo tempo perversa. O cerne da questão é: Até que ponto é suficientemente sensato para admitir que errou e que pode e deve carregar sozinho as responsabilidades dos seus atos?

Aqui vão uns conselhos: assuma as conseqüências das suas escolhas, tenha atitude de gente grande. Se quiser crescer e melhorar a sua imagem perante a opinião pública esqueça palavras indiretas, metáforas, chorumelas, mi mi mi…Culpar os outros, a natureza, o tempo, o vento, a chuva, também não resolve nada, atitude sim. É oportuno esclarecer que existem as exceções, se achas que se enquadrou nessa, desculpe! Não foi minha intenção.

Folha de SJB

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