VIVER EM GRUPO É SEMPRE MELHOR, POR GILDO LOPES

Como todo grupo social, os jovens amam conviver em coletividade demonstrando força e cumplicidade, têm necessidade de se manifestar por meio de linguagem própria, vestuário, arte e cultura compatíveis com sua identidade, gostam de falar sobre namoro, sexo e amizade e como estar junto o tempo todo não seja possível, o Face book, YouTube, Twitter , Orkut, aplicativos de mensagens via celular WhatsApp, etc, fazem parte do pacote das redes sociais usadas para que se comuniquem com constância com amigos e reconstruam novas relações de amizades. 
Reverendo Gildo Lopes
Mas para isso funcionar a contento, precisam de um espaço público que pode ser na quadra da escola, na rua do bairro, lanchonetes, bailes, shows, terrenos baldios, igrejas ou praças, onde possam se encontrar para conversar, demonstrando alegria e sociabilidade. É precisamente nesses encontros que nascem lindos projetos, são questionadas situações imposta à sociedade que quando contraria seus anseios, motiva-os a se reorganizarem coletivamente, revelando seus lados políticos, levando-os a ações de protesto, reivindicações e manifestações populares. Com isto podemos então dizer que o conceito de juventude que vive em grupo, engloba a visão de pessoas engajados a movimentos de interesse comum com propósitos socialmente definidos. 

A imagem que temos de que os jovens são especialistas em andar em grupos, tem uma parte humana e outra divina. A Bíblia do Genesis ao apocalipse apresenta grupos sociais engajados a mudar a realidade em um determinado espaço, conduzidos por um líder e orientados por Deus. Quando aprendemos sobre as três pessoas da Santíssima Trindade, imaginamos um grupo espiritual que vive no céu. Quando Deus criou a primeira família, formou o primeiro grupo de pessoas com relação íntima e cedeu-lhes um espaço no paraíso. Quando Jesus nasceu em Belém da Judeia, o seu espaço foi na manjedoura, ali recebeu a visita de um grupo de pastores que o adorou e trouxeram-lhe presentes. A paixão de Cristo é um ato coletivo de Deus para salvação da humanidade. 

No inicio da sua vida pública, Jesus denominado de o “Homem de Nazaré”, não agiu sozinho, de princípio reuniu um grupo de doze pessoas que chamou de discípulos e procurava sempre andar com eles. Visando a implantação do Reino de Deus, procurou outros grupos quer menores ou maiores indo nos espaços públicos que eles ocupavam, assim evangelizou nas sinagogas, em casas de famílias, a pescadores, crianças, ao ar livre no sermão da montanha. Participou de festa de casamento, comeu com pobres e pecadores, curou pessoas, operou grandes milagres e mobilizou multidões. 

Encarando ideais de coletivo, ensinou por parábolas trazendo a consciência a defesa dos direitos humanos, da natureza e da religião como expressão da vida, mostrando a exigência da fé de amar a Deus sobre todas as coisas e de ir ao encontro do outro, dar ao governo de César o que estivesse na lei sem, porém negar aos pobres e necessitados o pão de cada dia, o evangelho e o direito a uma vida digna. Enfim, quando o Altíssimo no Antigo Testamento escolheu a nação dos hebreus e a chamou de seu povo, mostrou que é um Deus que defende a existência de grupos, porque sabe que viver em grupo é sempre melhor.

Antes de terminar há questões que precisam ser respondidas: Porque os jovens gostam de viver coletivamente? Porque viver em grupo é melhor se em grupos há sempre diferentes opiniões, diferentes vontades, diferentes necessidades. E também há pessoas pouco dispostas a abrir mão de algo em favor do próximo? Os jovens vivem em grupos, por terem necessidades constantes insatisfeitas e a satisfação de muitas dessas necessidades só é possível quando se relaciona com outras pessoas, por isso se faz necessário andar em coletividade. Mas à medida que começa perder esses vínculos de grupo, sua identidade coletiva vai se desestruturando, surgindo então o individualismo fazendo-o se sentir incompleto. 
Aí começa perceber que embora precise estar sozinho, gosta mesmo é de viver em grupo. Gosta de estar sozinho porque a solidão permite liberdades que não é possível no grupo, mas necessita do grupo porque nem tudo de que precisa consegue isoladamente, como por exemplo, namorar. Viver em grupo é sempre melhor, pois cada jovem é um ser social que precisa conviver consigo mesmo e com o outro, mas só se completa vivendo em sociedade. 
Gildo Lopes é pastor da Igreja Presbiteriana de São João Batista.
Folha de SJB

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