COLUNA DO PROFESSOR MARCONDES: TEMPOS DE MENINO

Desculpo-me com os amigos leitores desta coluna pela falta da remessa do artigo ao Blog, apesar das insistentes cobranças do Jailson. É que fiquei e ainda estou sem os serviços da INTERNET instalados em meu novo endereço, nesta minha continuada empreitada como dependente de aluguel imobiliário. Aqui em São Vicente, onde moro atualmente, estou no 13º endereço.

TEMPOS DE MENINO

Professor Marcondes
O prosseguir da vida e a solidão de amigos em que me encontro dão-me espaço às insólitas viagens em minhas lembranças e revivo saudoso as peripécias pueris de um tempo impossível de ser esquecido e que muito me inspira e enternece. 

Nasci em São João Batista, lá pelas terras do Bom Jesus e quando criança corri por aquelas enseadas, passeei nos campos e caminhos do mato pela circunvizinhança e fiz tudo que um garoto ruralista daquela época em sua trivialidade diária fazia. Juntei coco babaçu, apanhei tamarindo, recolhi bacuris nas matas de meu bisavô e ganhava um dinheirinho vendendo estes produtos aos atravessadores que os negociavam em São Luís, deliciei-me com cauaçu, tive problemas com ingestão de quiriri, montei em bezerro brabo, rodei em gangorras de imbaúba sob as sombras dos mangueiras, perturbei os trabalhadores que atrelavam bois às cangas para puxarem os carros, jogava conversa fora para distrair as quebradeiras de coco e merecer delas algumas amêndoas que mastigava, engolia o sumo e soprava os farelos em brincadeira, mas carrego arrependimentos por ter caçado passarinho com baladeira ou bastão pelas chapadas e capoeiras. 

Não gostava muito de andar a cavalo, mas acordava cedo para beber leite mugido no curral bem em frente da casa. Tomei banho de cuia nos poços e tanques, quase morri afogado imergindo em açude sem saber nadar, peneirei massa para fazer farinha em casa de forno, sofri com as coceiras provocadas por micuim, gostava de andar em caminhos do mato quando chovia, apesar do medo de trovão e joguei muitas peladinhas nos campinhos das enseadas. Não esqueço os finais de tarde e as preces em frente à lamparina posta numa prateleirinha da parede e as brincadeiras das noites enluaradas, esconde-esconde, preto fugido, pata cega, enquanto os adultos se distraiam animados no jogo de baralho. Entre uma brincadeira e outra curtíamos escondidos uns “traguinhos” de talo de estrela – uma espécie de lírio que perfumava o quintal!

Da casa onde meus bisavós moravam era possível ver ao longe os caminhões trafegando para o Porto da Raposo no período da seca e os canoeiros em suas canoas empurradas a mará ou remo, na época das chuvas. Ficava horas vendo a poeira subir ao longe e reconhecia os veículos, identificando-os pelos donos ou pelos motoristas, de acordo com a cor das boleias.

Estudei até o segundo ano do antigo primário na sede municipal, onde minha família residia, e nas rodas de Tabuada nunca apanhei um bolo e sou vaidoso em reviver as pueris lembranças estudantis. Depois meus pais me levaram para estudar em São Luís, a partir do terceiro ano, isto por problemas de saúde. E registro orgulhosamente o sucesso alcançado no Grupo Escolar “Barbosa de Godois”, lá no Monte Castelo, despontando como exemplar aluno vindo do interior, entre os ludovicenses que, a princípio, tratavam-me com certa indiferença e preconceito, mas que cederam com brevidade aos meus esforços em não querer ser mais um entre outros, mas um destaque, para orgulho meu, de minha família e conterrâneos.

Lembro-me das idas e vindas por via marítima, as viagens épicas nas lanchas a cada início ou término do período das férias; as partidas sofridas e as chegadas alegres para as sonhadas brincadeiras, quando me juntava aos amigos em momentos prazerosos e nunca esquecidas. 

Assim foram meus tempos de criancice, divididos entre a sede, o BOM JESUS e o período de estudo em São Luís, Lembranças saudosas da minha infância querida, que os tempos não trazem mais! Os anos passando rapidamente e cheguo à adolescência, … mas esta faixa etária comporta outra crônica, onde conquistas, namoros, festas, traquinagens, e muito estudo entremeiam-se entre a capital e meu amado São João Batista!

Folha de SJB

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