COLUNA DO PROFESSOR MARCONDES: ORGULHO-ME EM SER ÚTIL AO PAÍS

Exercer uma profissão com consciência de ser humanamente útil ao próximo e ao país é muito gratificante e animador. A maioria dos cidadãos se preocupa com a remuneração, posição social, poder de compra, para satisfação da avidez consumista e material, esquece a maior e mais verdadeira recompensa dentre aquelas possíveis de serem alcançadas pelo ser humano – a prazerosa alegria de servir ao próximo e à pátria, com dedicação e amor, sem ufanismos quixotescos. 
São muitas as formas de servir-se ao país. É claro que essa diversidade tramita por diferentes naturezas e algumas pessoas “estão servindo” por mera circunstância ou necessidade de manutenção pessoal ou familiar, afinal, precisam de um emprego, uma ocupação legal, justa; outras são “servidoras”, isto é, servem porque têm dentro de si essa imperiosa vontade de amenizar o sofrimento e os problemas vivenciados pelos menos favorecidos, aqueles mais carentes e excluídos ou não atingidos pelo sistema, ou aparentemente beneficiados com aquelas esmolas indignas nomeadas como “Programas Sociais do Governo”, hoje “Bolsa Família” – um nome com uma retração denotativa que vai muito aquém do que realmente é, pois não chega a ser uma “bolsa”, simplesmente um “bolsinha”, que nomeio assim para enfatizar o quanto é ínfima e mísera.

Ressalto ainda os projetos fundados em realidades completamente adversas, considerando-se a dessemelhança dominante neste país continente que nos faz comprovar ao longo desses anos todos, a incoerência e inaplicabilidade fundadas na diversidade cultural e ambiguidades geradas por fatores de uma teoria distanciada da realidade prática, ou absurdos importados em nome de modelos tecnológicos e modernismos titulados como “know how”, quando deveríamos ter um modelo brasileiro regionalizado, viável, prático, com a cara e o jeito de nossa gente, de nosso povo.

Sou professor e trabalhar com educação na prática, dia a dia nas salas de aula, sem dúvidas, é ter a chance de exercitar funções de engrandecimento pessoal e do semelhante, em qualquer lugar, mediante quaisquer situações ou conveniências. Porém, desempenhar com paixão as funções pedagógicas em regiões pobres, onde a carência se evidencia em todos os aspectos profissionais e, sobretudo nas condições de sobrevivência, geradora de um contexto educacional oprimido, cerceado, truncado por razões advindas da privação de materiais escolares e didáticos, como livros, cadernos, dentre os essenciais, embora haja programas de distribuição de livros, incapazes de alcançar a demanda, principalmente por aqui, problemas que somados à falta de transportes para muitos moradores de localidades longínquas, são realidades que tornam o professor um profissional com uma rotina de desafios e superações, um artista, criador, inovador, improvisador, mágico das reais ilusões de incutir no educando o otimismo e a autoestima, a crença na oportunidade de vencer, progredir, somente possíveis através do estudo; enquanto ele próprio contraditoriamente se mostra, sem comentar nem referir-se, como um exemplo de estagnação, bloqueado pela triste realidade da ausência de conforto, apoio, incentivo e crédito, sendo, ao mesmo tempo, um modelo de dignidade, profissionalismo e sapiência.

Quantas vezes a vida nos obriga a ir mais longe do que nossa capacitação permite ou supomos ser capazes, mas, a responsabilidade, a necessidade e a paixão obrigam-nos alcançar? Tornamo-nos assistentes sociais, conselheiros, promotores de eventos culturais, desportivos e de lazer, os amigos disponíveis para toda e qualquer hora e eventualidade, tudo com o propósito de educar, orientar, ajudar, esclarecer e ser útil a nossa gente, a nosso país.

Tenho orgulho de ser professor e considero meus alunos como constituintes de uma grande e querida família firmada solidamente, onde a afetividade é determinante e imperativa condição no desenvolvimento do trabalho diário e isto está em minha índole profissional, em minhas fundadas razões em ter abraçado a profissão por amor e íntima e cultuada vocação descoberta desde menino. Texto do professor Marcondes Serra Ribeiro.

Folha de SJB

3 respostas para “COLUNA DO PROFESSOR MARCONDES: ORGULHO-ME EM SER ÚTIL AO PAÍS”

  1. Belíssimo texto, Marcondes. Costumo dizer que não exerço a profissão de educadora por vocação, sim por necessidade e por falta de oportunidade, na época em que concluí o antigo “segundo grau”. Mesmo não tendo todo esse amor e vocação que exalam espontaneamente por todos os seus poros, busco exercer a profissão, para a qual me formei, com responsabilidade, pontualidade e assiduidade que me são possíveis. Mas uma característica afirmo ter em comum com você enquanto professora:alegrar-se com sucesso dos alunos. Yolanda.

  2. Adoro esses dois mestres. São dois professores queridíssimos. Yolanda e Marcondes que Deus os abençoe sempre!
    Beijão de alguém que já foi aluno dos dois!

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