Pesquisa da UFMA identifica indícios de contaminação em gelo vendido em estabelecimentos de Pinheiro

Uma pesquisa desenvolvida na Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Câmpus Pinheiro, identificou indícios de contaminação microbiológica em amostras de gelo comercializadas em estabelecimentos do município. O estudo apontou a presença de colônias sugestivas de coliformes totais e da bactéria Escherichia coli (E. coli), microrganismos que podem representar riscos à saúde humana.

Venda de gelo em Pinheiro

A pesquisa foi desenvolvida por Ludmilla Castro, durante seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) em Ciências Naturais – Biologia, com orientação de Elisangela Sousa de Araujo, pesquisadora da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), e coorientação de Bruno Rafael de Lima Moraes, da Universidade Estadual de Maringá (UEM). De acordo com a investigação, este é o primeiro estudo realizado no município com o objetivo de avaliar a qualidade microbiológica do gelo comercializado para consumo humano.

O trabalho chama a atenção para um produto bastante utilizado no cotidiano da população, principalmente em bares, restaurantes, lanchonetes e supermercados. Embora muitas pessoas não considerem o gelo um alimento, a legislação brasileira o classifica dessa forma, exigindo padrões de qualidade e condições adequadas de produção, manipulação e armazenamento.

A Resolução RDC nº 717/2022 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) estabelece que o gelo destinado ao consumo humano deve ser produzido a partir de água que atenda aos padrões de qualidade exigidos para o consumo.

Resultados da pesquisa

Para realizar o estudo, foram coletadas amostras de gelo em três estabelecimentos de Pinheiro, sendo dois restaurantes e um supermercado. O material foi transportado em embalagens próprias, acondicionado em caixa térmica e encaminhado ao Laboratório de Química da UFMA, Câmpus Pinheiro, onde passou por análises microbiológicas.

Os pesquisadores utilizaram os meios de cultura Ágar MacConkey e Ágar EMB de Levine para investigar a presença de microrganismos indicadores de contaminação. No Ágar MacConkey, foram observadas colônias sugestivas de coliformes totais em oito das nove amostras analisadas, o equivalente a 88,9%. Já no Ágar EMB de Levine, das 30 placas analisadas, 15 (50%) apresentaram brilho verde metálico, característica sugestiva da presença de Escherichia coli.

Os resultados apontaram indícios de comprometimento da qualidade microbiológica do gelo nos três estabelecimentos avaliados. Entre as possíveis causas estão problemas na qualidade da água utilizada na fabricação, além de falhas nos processos de produção, manipulação, armazenamento e comercialização.

A pesquisadora ressaltou, entretanto, que a identificação dos microrganismos foi presuntiva, ou seja, baseada nas características observadas nos meios de cultura. Por isso, são necessários testes complementares para confirmar a identificação definitiva das bactérias.

Pesquisa alerta para riscos à saúde pública

Segundo Ludmilla Castro, o trabalho é importante por ampliar o conhecimento sobre a qualidade do gelo comercializado em Pinheiro e fornecer informações que podem contribuir para o monitoramento microbiológico, a fiscalização sanitária e a adoção de boas práticas de higiene. A pesquisa também destaca a necessidade de ampliar a fiscalização e realizar novos estudos, incluindo um número maior de estabelecimentos e métodos laboratoriais complementares.

A presença de microrganismos indicadores de contaminação reforça a importância dos cuidados com o gelo utilizado no consumo humano, uma vez que o produto pode entrar em contato direto com bebidas e alimentos.

Para Ludmilla Castro, a realização do estudo representou uma experiência importante para sua formação acadêmica e científica. Durante o desenvolvimento do TCC, ela teve a oportunidade de aprofundar conhecimentos na área de microbiologia, além de participar de atividades de coleta de amostras, análises laboratoriais e interpretação de resultados.

A pesquisadora destacou ainda que a experiência permitiu compreender melhor a relação entre o controle microbiológico dos produtos consumidos pela população e a proteção da saúde pública. O estudo foi publicado no site da UFMA (veja AQUI).

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