A Polícia Federal deflagrou, nesta terça-feira (22), a Operação Laudo Cego, que investiga um grupo suspeito de atuar na obtenção e manutenção fraudulenta de benefícios previdenciários por incapacidade temporária. A operação foi realizada em diferentes municípios do Maranhão, incluindo cidades da Baixada Maranhense, além de outros estados.

Na região da Baixada, foram cumpridos mandados de busca e apreensão nos municípios de Pinheiro, Santa Helena, Palmeirândia e Presidente Sarney. A ação também ocorreu em São Luís, Paço do Lumiar, São José de Ribamar, Presidente Juscelino e Brejo. Fora do Maranhão, os mandados foram cumpridos em Santa Rosa (RS), Cotia (SP), Parauapebas (PA), Parnaíba (PI) e Ubajara (CE).
Ao todo, segundo a Polícia Federal, são 39 mandados de busca e apreensão, cumpridos por cerca de 150 policiais federais. Também foram determinadas medidas de afastamento dos sigilos bancário e fiscal, proibição de contato entre os investigados e bloqueio de bens e valores, com o objetivo de garantir eventual ressarcimento aos cofres públicos.

Investigação
A Operação Laudo Cego é um desdobramento da Operação Camisaria, deflagrada em setembro de 2024. Conforme a investigação, a análise do material apreendido naquela ocasião e outras diligências apontaram indícios de um esquema estruturado para a concessão indevida de benefícios previdenciários. Segundo a PF, o grupo investigado teria a participação de servidores públicos, profissionais da área da saúde, contadores, empresários e intermediários, divididos em diferentes núcleos com funções específicas.
Entre as práticas investigadas estão a emissão de supostos laudos médicos falsos, criação de vínculos empregatícios fictícios, inserção de informações fraudulentas em sistemas previdenciários, recrutamento de beneficiários e movimentação dos valores obtidos por meio do esquema. Até o momento, foram identificados 172 benefícios considerados potencialmente fraudulentos. A estimativa é de que as irregularidades tenham causado um prejuízo de aproximadamente R$ 6,57 milhões aos cofres públicos.
A investigação aponta ainda que a suspensão dos pagamentos considerados indevidos poderá evitar um prejuízo adicional estimado em cerca de R$ 1,01 milhão. A operação é coordenada pela Polícia Federal e integra a Força-Tarefa Previdenciária, com participação da Coordenação-Geral de Inteligência da Previdência Social, vinculada ao Ministério da Previdência Social.
Os investigados poderão responder, conforme a participação de cada um e os elementos reunidos na investigação, pelos crimes de estelionato previdenciário, falsificação de documento público, inserção de dados falsos em sistema de informações, organização criminosa e lavagem de dinheiro.


