Natural de São João Batista, Raimundo Cutrim grava vídeo dizendo que já sabia da operação antes de ser preso pela PF

O ex-secretário de Segurança Pública do Maranhão e atual secretário de Estado de Assuntos Legislativos afastado, Raimundo Cutrim, natural de São João Batista, na Baixada Maranhense, afirmou em um vídeo gravado antes da operação da Polícia Federal que já tinha conhecimento de que seria alvo de uma investigação determinada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Ministro e ex-deputado

Na gravação, que passou a circular nas redes sociais após o cumprimento das medidas judiciais, Cutrim afirma que parlamentares ligados ao grupo político do ministro comentavam antecipadamente sobre a existência de um mandado de prisão contra ele. O ex-secretário também declarou que estaria sendo vítima de perseguição política e questionou a imparcialidade de Flávio Dino para conduzir o caso.

Durante o vídeo, Raimundo Cutrim nega qualquer envolvimento com o chamado caso Tec Office, sustenta que o homicídio investigado teria motivação pessoal e afirma que sua imagem estaria sendo utilizada politicamente. Em outro trecho da gravação, ele faz acusações contra parlamentares alinhados ao ministro, alegando que eles teriam atuado como intermediários em supostas propostas relacionadas a decisões judiciais e apoio eleitoral.

Prisão domiciliar e afastamento do cargo

Na sexta-feira (17), a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão contra Raimundo Cutrim por determinação do ministro Flávio Dino. Já no sábado (18), o ex-secretário se apresentou à Superintendência da Polícia Federal, em São Luís, onde passou pelos procedimentos para o cumprimento da decisão judicial.

Posteriormente, o ministro converteu a prisão preventiva em prisão domiciliar com monitoramento eletrônico. Cutrim deixou a sede da PF utilizando tornozeleira eletrônica e passou a cumprir a medida em sua residência. Além da prisão domiciliar, o STF determinou o afastamento imediato de Raimundo Cutrim do cargo de secretário de Estado de Assuntos Legislativos.

Medidas cautelares e buscas

A decisão do Supremo também impôs uma série de restrições ao investigado, entre elas: uso obrigatório de tornozeleira eletrônica; proibição de conceder entrevistas, direta ou indiretamente; proibição de acessar redes sociais; proibição de gravar áudios, realizar declarações públicas ou fazer ligações telefônicas, observadas as restrições impostas pelo sistema penitenciário; apreensão de armas de fogo eventualmente existentes em sua posse; contato restrito aos familiares mais próximos e aos advogados constituídos.

O ministro advertiu que o eventual descumprimento das medidas poderá resultar na revogação da prisão domiciliar e no cumprimento da prisão preventiva em um presídio federal. Em decisão complementar, Flávio Dino autorizou a Polícia Federal a cumprir mandado de busca e apreensão em um endereço ligado a Raimundo Cutrim, em São Luís.

A medida permitiu a apreensão de documentos, computadores, celulares, notebooks, tablets, HDs, pen drives e outros equipamentos eletrônicos considerados relevantes para a investigação, além da realização de perícias nos materiais recolhidos. Também foi autorizada a apreensão de valores em espécie superiores a R$ 10 mil, joias, obras de arte, veículos e outros bens de luxo eventualmente encontrados durante o cumprimento do mandado.

Trajetória

Natural de São João Batista, na Baixada Maranhense, Raimundo Soares Cutrim é formado em Direito e ingressou na Polícia Federal em 1981, tornando-se delegado em 1985. No Maranhão, comandou a Secretaria de Segurança Pública em dois períodos e, posteriormente, exerceu três mandatos consecutivos como deputado estadual.

Em janeiro de 2025, foi nomeado pelo governador Carlos Brandão para o cargo de secretário de Estado de Assuntos Legislativos. Com a decisão do Supremo Tribunal Federal, ele foi afastado da função enquanto prosseguem as investigações.

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