A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quarta-feira (10), a Operação Fundo Oculto para desarticular duas organizações criminosas suspeitas de desviar recursos públicos e financiar ilegalmente campanhas eleitorais nas eleições municipais de 2024 no Maranhão. Entre os alvos da investigação está o prefeito de Turiaçu, Edésio Cavalcanti (Republicanos), um dos nomes citados no inquérito que apura a movimentação de milhões de reais em supostos repasses ilícitos.

Além de Edésio Cavalcanti, também são investigados os prefeitos Neto Carvalho (PDT), de Araioses; Márcio Viana (PSB), de Godofredo Viana; Nonato Carvalho (PDT), de Magalhães de Almeida; e Ivaldo Ribeiro (Avante), de Miranda do Norte. O prefeito de Turiaçu também foi alcançado por uma decisão da Justiça Eleitoral na última terça-feira (9), que determinou a cassação de seu mandato por supostas irregularidades cometidas durante as eleições de 2024.
De acordo com a Polícia Federal, as investigações apontam que empresas contratadas por prefeituras maranhenses eram utilizadas para receber recursos públicos que, posteriormente, eram convertidos em dinheiro em espécie e destinados ao financiamento ilícito de campanhas eleitorais. O esquema contaria ainda com o apoio de um funcionário de uma instituição bancária em São Luís.
As apurações revelaram movimentações financeiras consideradas atípicas, especialmente nas semanas que antecederam o pleito municipal de 2024. Segundo a PF, o fluxo financeiro investigado alcançou quase R$ 10 milhões. Em um dos núcleos criminosos identificados, cerca de R$ 2 milhões teriam sido utilizados em repasses ilícitos.

Os investigadores também encontraram indícios de lavagem de dinheiro, com saques em espécie e transferências para contas de terceiros utilizados como intermediários. Além disso, foram apreendidas planilhas informais de controle financeiro, documentos relacionados ao chamado “caixa dois” e arquivos que detalhavam a logística de entrega dos valores e o monitoramento da presença policial nas proximidades da agência bancária utilizada pelo grupo.
Até o momento, a Polícia Federal identificou 15 candidatos que teriam sido beneficiados diretamente pelo esquema ou que aparecem em negociações relacionadas aos repasses investigados. Por determinação do Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão (TRE-MA), foram cumpridos 25 mandados de busca e apreensão em diversos municípios do estado. A Justiça também autorizou a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos investigados, o afastamento de um funcionário público e o sequestro de bens avaliados em aproximadamente R$ 4 milhões.
Segundo a Polícia Federal, as medidas têm como finalidade aprofundar as investigações, interromper a continuidade das supostas práticas criminosas e recuperar recursos públicos que possam ter sido desviados. Os investigados poderão responder pelos crimes de falsidade ideológica eleitoral, lavagem de dinheiro, organização criminosa, corrupção ativa e passiva, desvio de recursos públicos e outros delitos contra a administração pública.




