Jovens vítimas de racismo e homofobia na Baixada Maranhense registram denúncia na Delegacia de Combate a Crimes Raciais

Nesta quarta feira (02), três jovens do município de Monção, na Baixada Maranhense, buscaram atendimento jurídico e registro de denúncia de racismo e homofobia, em São Luís. Os jovens, integrantes de um grupo de dança com forte identidade indígena, foram agredidos no Ginásio Municipal de Monção por um grupo de homens que, além de reivindicar o espaço para atividades esportivas, proferiram ofensas racistas e homofóbicas.

Vítimas relataram ameaças e agressões físicas

Na manhã de ontem, a Defensoria Pública do Estado do Maranhão acolheu as vítimas, que posteriormente dirigiram-se à Delegacia de Combate a Crimes Raciais e Delitos de Intolerância, no bairro Liberdade, para formalizar a denúncia. Após o registro do boletim de ocorrência, os jovens passaram por exames de corpo de delito para comprovar as lesões decorrentes do ataque.

O episódio, ocorrido na presença de crianças e outros integrantes do grupo cultural, envolveu agressões físicas severas, incluindo espancamento e chutes na cabeça de um dos jovens. Apesar de terem procurado atendimento médico em Monção, os jovens relataram negligência no hospital e constrangimento ao tentar registrar a ocorrência, já que os agressores estavam presentes e foram priorizados no atendimento.

O caso ganhou ampla repercussão nas redes sociais e mobilizou entidades ligadas aos direitos humanos. O Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB), com sede em São Luís, está oferecendo suporte jurídico aos jovens e, em ofício enviado a órgãos de justiça e defesa dos direitos humanos, denunciou as sucessivas violações de direitos fundamentais, solicitando providências urgentes para proteger as vítimas e responsabilizar os agressores.

Nota do MIQCB

“O Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) vem a público manifestar seu mais profundo repúdio ao ato de violência racista e homofóbica cometido contra três jovens no município de Monção (MA), na última segunda-feira, 31 de março de 2025. As agressões ocorreram no Ginásio Municipal da cidade, durante um ensaio do grupo de dança do qual os jovens fazem parte, e foram praticadas por um grupo de homens que, além de insultos de cunho discriminatório, partiram para a violência física de forma brutal e covarde.

É inaceitável que em pleno século XXI, jovens — alguns pertencentes a comunidades tradicionais quilombolas e quebradeiras de coco — ainda sejam alvo de ódio racial, homofobia e violência institucional, sendo agredidos por ocuparem um espaço público destinado à cultura, ao lazer e à livre expressão de suas identidades. Reforçamos que manifestações artísticas e culturais são formas legítimas de resistência, identidade e pertencimento, e devem ser protegidas e incentivadas, especialmente entre a juventude negra e periférica.

Denunciamos, ainda, a negligência das instituições locais de saúde e segurança pública, que falharam em acolher adequadamente os jovens após o ocorrido. A omissão no atendimento médico e o constrangimento vivido na delegacia, onde os agressores foram priorizados, agravam ainda mais a violação de direitos que estas vítimas vêm enfrentando. O MIQCB reafirma seu compromisso com a luta contra o racismo, a LGBTfobia, a violência institucional e toda forma de opressão que atinge nossos jovens, nossos territórios e nossas comunidades. Exigimos das autoridades competentes a imediata responsabilização dos agressores, bem como medidas de proteção e reparação às vítimas”.

No Maranhão, as denúncias relacionadas a crimes raciais subiram de 19 no ano de 2023 para 76 em 2024, segundo dados do Disque 100.

Vejam o vídeo com os relatos das vítimas abaixo. Não consegue visualizar o vídeo? Clique AQUI e vejam o vídeo completo. Com informações do O Imparcial

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