Moradores do bairro João Diogo, às margens da MA-014, próximo à entrada de Vitória do Mearim, no sentido de Viana, denunciam uma série de transtornos provocados pelo descarte irregular de lixo e por queimadas em um terreno que, segundo a comunidade, deveria receber exclusivamente resíduos orgânicos.

De acordo com os relatos, o problema se agravou nos últimos dois anos, com o acúmulo de pneus velhos, plásticos industriais, equipamentos eletrônicos e outros materiais descartados irregularmente. A situação tem provocado mau cheiro, fumaça, poeira, fuligem e aumento da presença de mosquitos, afetando a rotina das famílias que vivem nas proximidades.
Segundo os moradores, a área foi arrendada pelo poder público municipal há mais de dez anos para receber materiais vegetais, como galhos, folhas secas e restos de podas de árvores. Ainda conforme os relatos, o acordo previa o cercamento do terreno, a instalação de um portão com cadeado, vigilância permanente e o envio de máquinas pesadas a cada dez dias para realizar a limpeza e o manejo dos resíduos. A comunidade afirma, porém, que essas medidas não foram efetivamente implementadas.
Sem controle de acesso, o local teria passado a receber resíduos de diferentes tipos e procedências, transformando-se em um depósito irregular de lixo a céu aberto.

Incêndios provocam fumaça e preocupação com a saúde
O acúmulo de materiais inflamáveis e a vegetação seca têm sido apontados pelos moradores como fatores que contribuem para os incêndios recorrentes na área. Durante as queimadas, a fumaça se espalha pelas residências, enquanto explosões provocadas por materiais descartados no terreno aumentam a preocupação da comunidade.
Um morador, que preferiu não ser identificado, relatou os impactos da situação sobre a saúde e a rotina de sua família. “Pessoas de outros bairros jogam lixo aqui porque o local não é cercado e não tem qualquer tipo de fiscalização. Com os produtos que jogam lá, começam os incêndios. Já presenciamos explosões causadas por esses materiais, com barulhos muito altos que parecem tiros, além de uma fumaça sufocante”, afirmou.
O morador também relatou dificuldades para manter as atividades domésticas e disse que precisou procurar atendimento médico por causa dos sintomas que vem apresentando. “As roupas que lavamos precisam ser lavadas de novo, e o cheiro dentro de casa é tão forte que temos que passar dias fora. Minha garganta vive seca, estou tossindo bastante e precisei passar por consulta médica. Meus dois filhos sofrem demais e chegam a ficar de cama por causa da fumaça”, desabafou.
Além da exposição à fumaça, os moradores demonstram preocupação com o acúmulo de sujeira e a proliferação de mosquitos e outras pragas urbanas, que podem aumentar os riscos sanitários para a população.

Moradores constroem cerca e acionam o Ministério Público
Diante do que consideram falta de providências efetivas do poder público municipal, os próprios moradores decidiram agir para tentar impedir a continuidade do descarte irregular. No dia 20 de outubro de 2026, segundo imagens divulgadas pela comunidade, os residentes realizaram um mutirão para construir uma cerca de estacas e arame ao redor do terreno, utilizando recursos próprios.
Cinco dias depois, em 25 de outubro, lideranças locais informaram ao Portal Imirante que haviam formalizado uma representação junto ao Ministério Público do Estado do Maranhão (MPMA). O objetivo é solicitar a apuração de possíveis crimes ambientais e infrações sanitárias relacionadas à situação denunciada.