Artigo: Thiago Chaves, a integridade em pessoa…

Este mês completa-se mais um ano do falecimento de Tiago Basílio Chaves, meu sogro, um homem cuja honestidade deixava a vista a sensação de que vale a pena viver de modo reto e pacifico, um homem acima do seu tempo, do qual tenho muito orgulho em ter convivido, além do privilégio de ser seu genro.

Conheci-o quando comecei a namorar com Antonia, cabelos todos brancos, porém corpo ainda sagico. Havia se aposentado pelo INSS, mas para complementar a renda tinha que viajar toda semana para S. Luís, onde trabalhava numa terceirizada da ALUMAR. Voz mansa, articulada, passávamos bons momentos conversando sobre vários assuntos, dentre eles, um que gostava muito, política. Possuía uma sabedoria inata, e a passava de modo calmo e com conhecimento pleno do assunto.

Seu Tiago nasceu 23 de maio de 1927, era filho de Máximo Antonio Chaves e Teodora da Conceição Fernandes Chaves, sendo portanto descendente tanto por parte de pai, como da mãe, de famílias tradicionais da cidade Arari. Teve uma infância humilde, com criação firme, dentro dos valores católicos tão em voga na terra das melancias, fator que condicionou, formatou, delineou, sua imagem, transformando –o num adulto com excepcional padrão moral e ético

Exímio carpinteiro e calefateiro, cuidava com capricho das suas ferramentas e canoas que viviam à margem do rio Mearim. Gostava de passear pelo quintal da casa, patacho (em Arari chamam catana), na mão, limpando e cuidando das plantas, juntando mangas, bacuri-pari, sapoti, botando milho para as galinhas e patos, tirando mel de abelhas das caixas ou preparando garapa e mel no pequeno engenho de cana de açúcar.

Jamais questionou minha vida, quem eu era, de onde vinha. Com várias filhas moças e bonitas em casa, tratava todos os pretendentes – e nós éramos muitos-, do mesmo jeito: afável e educadamente. Nunca o vi zangado, a voz mansa ecoava na casa da Trizidela denotando sem quaisquer atitudes agressivas quem era a autoridade. Lembro com carinho dos nossos papos, geralmente versando sobre a política nacional. Seu jeito amável, propugnava um conhecimento grande do assunto debatido, a experiência dos anos passados, ensinava até na hora de manter silencio.

Amado e respeitado pela comunidade, quando em algum lugar de Arari, perguntavam quem eu era, a resposta vinha logo, “sou genro de Tiago Chaves”, “,Ah Tiago, é gente boa”, “integra”, diziam. Seu nome era literalmente uma chave, abria a porta de amizade e confiança nas pessoas, encerrando qualquer forma de desconfiança, e nos integrando naquele rol.

Sinônimo de tranquilidade e certeza de reconhecimento, assim é ser genro de Tiago Chaves. Estima e consideração tinha por todos nós, desde o marido da filha mais velha, Joaozinho, ao da caçula, Manoel. Seu Tiago teve 13 filhos, (04) homens e (09) mulheres, sendo 12 com dona Zica, mãe de Antonia, e um da primeira esposa, que morreu de parto.

Quase nunca parava, encontrá-lo dormindo, impossível. Pai de 05 moças bonitas em casa, o fluxo de rapazes pretendentes era muito grande naquela época. Mantinha uma postura inabalável, respeitando a todos, porém guardando distância, sem parecer arrogante ou hostil, mas como quem diz, “cuidado com o teu comportamento, as filhas são minhas, e quem manda aqui sou eu”. Recado dado, recado posto em pratica, afinal ninguém queria perder seu objetivo.

Dotou a família de um estilo único: o domingo era o dia de todos os filhos, mulheres e homens, se reunirem em sua casa, com maridos, esposas, neto(a)s, e eventuais namorados ou namoradas dos netos, para já ir se acostumando com a regra: uma vida integrada em torno do que ele mais prezava, o respeito. Nesses momentos as brincadeiras corriam soltas, numa confraternização, cujo ápice era o gostoso almoço preparado por dona Zica- a segunda melhor cozinheira que conheço-, e a quantidade de pacotes das sobras, no final da tarde, que todos levávamos pra casa. Um belo exemplo de unidade familiar, que mesmo depois de sua morte continua sendo mantido.

Creio ter deixado este mundo feliz, ao lado da esposa, cercado de filhos e netos, que o tinham como bastião dos bons procedimentos, amado, honrado, respeitado. Ficou como legado, sua vida inatacável em todos os aspectos, indicando pra nós, filhas, filhos, noras, genros, netas e netos, um futuro a ser imitado e seguido.

João Carlos da Silva Costa Leite, é natural de Matinha. Bancário aposentado, casado, presbítero em disponibilidade da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil (IPIB). Membro do Fórum em Defesa da Baixada Maranhense (FDBM). Membro fundador da Academia Matinhense de Artes, Ciências e Letras (AMCAL), ocupando a cadeira de número 17. Graduando em Filosofia pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA).

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