VIVER E DIALOGAR É PRECISO, POR GILDO LOPES

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Grande cartada deu o Fórum da Juventude de São João Batista, quando se reuniu com o chefe do poder executivo do munícipio para um diálogo pessoal. Na oportunidade discutiram-se de modo geral políticas que atendam e contemplem desejos e necessidades dos moços e ações que lhes proporcionem bem-estar, qualidade de vida e valorizem suas vivencias, criando momentos interessantes eles. Estavam presentes muitos jovens que representaram o município uma vez que esse tipo de conversa sempre motiva os jovens, entendo que a preocupação do poder público em abrir diálogo com a sociedade é o caminho, principalmente para atender os jovens. É preciso que cheguem mais perto mesmo e perguntem: O que vocês querem? Como ajuda-los? No entanto para fazê-los felizes e conquistá-los é preciso mais do que abranger seus anseios. Bater um papo com a moçada é o ponta pé inicial, mas não podemos ignorar que entre o que se conversa e o que se realiza há uma distancia a percorrer que precisa ser encurtada.
Reverendo Gildo Lopes
A morosidade com que se desabrocham as propostas politicas traz sempre ansiedade e com ela uma insatisfação generalizada que geram indignação e protestos (pacíficos, ordeiros), quando ha falta de agilidade e de informação sobre quais são as reais soluções para os problemas por parte do poder público. Por isso é muito importante que os jovens coloquem com clareza o que querem se possível, através de projetos para que esse diálogo não se torne apenas um monologo, ou seja, um falando outro ouvindo e nada acontecendo. Existe uma frase que diz assim: “não basta ser pai, tem que participar”. Para alguma coisa acontecer em favor do grupo precisa-se de uma intensa participação juvenil.

A tradição mostra que são os jovens que mais reagem a situações de crise, inclusive porque reconhecem nas situações críticas da sociedade o que não deve ser feito e o que precisa ser mudado. O livro “As Aventuras de Tom Sawyer” dá-nos entender que para o jovem sobreviver na sociedade tem que ter como arma principal a inteligência, não ter medo, ser forte, ágil, carismático, estrategista, ter esperteza em situações inesperadas e saber negociar para converter condições de desvantagem em favoráveis para atingir seus alvos. Desta forma a parceria entre poder público e a classe dos jovens longe de ser uma aventura, é uma experiência concreta que busca dar estabilidade no que foi acordado entre as partes, é um caminhos sem espinhos para se alcançar os objetivos pretendidos.

Precisamente no livro bíblico de Provérbios de Salomão apresenta-se uma situação parecida. O rei Salomão representando o poder público da época buscou se comunicar com a juventude do seu tempo para discutir de modo geral situações que atendessem as necessidades desses rapazes e moças no que concerne ao bem estar e qualidade de vida e viabilizar suas vivencias através de provérbios, uma forma de ensino popular no Oriente, em virtude da sua grande clareza, alcance, facilidade de memorização e transmissão oral. A visão era construir uma geração com jovens de valor, e que essa viesse transmitir a outras gerações o que aprendeu.

O provérbio de Salomão era um ditado sucinto que expressava princípios em torno da conduta da mocidade do ponto de vista de Deus, na verdade uma pequena frase edificante, educativa que indicava um bom princípio de vida com o propósito de dar sabedoria, entendimento, justiça e discernimento, de modo que os jovens fossem inteligentes, dinâmicos e ajuizados, ousados, contudo prudentes, sábios, todavia não arrogantes.

Assim trouxe a eles mensagem do tipo: Alegra-te, jovem, na tua juventude, e recreie-se o teu coração nos dias da tua mocidade; anda pelos caminhos que satisfazem ao teu coração e agradam aos teus olhos; sabe, porém, que de todas estas coisas Deus te pedirá contas. Afasta, pois, do teu coração o desgosto e remove da tua carne a dor, porque a juventude e a primavera da vida são vaidade. Lembra-te do teu Criador nos dias da tua mocidade, antes que venham os maus dias, e cheguem os anos dos quais dirás: Não tenho neles contentamento! (Livro de Eclesiastes, 11: 9,10 e 12:1).

Aqui há quase um paradoxo. O jovem deve se recrear, andar por caminhos que alegram o coração e agradam os olhos. Ele, porém, deve saber que os atos da juventude podem deixar boas marcas ou sequelas negativas se não forem para o bem. Por isso, a recomendação é no sentido de que se experimente a vida com bom-senso, buscando sempre os “bons prazeres”, as boas causas, os bons princípios, sem jamais se esquecer de meditar nas Escrituras Sagradas e entregar a vida aos cuidados eternos de Deus o Pai. Isto porque no desejo de atender às demandas do coração nos dias da mocidade, e na intenção de andar por caminhos que satisfazem aos olhos, pode-se errar o destino e entrar no caminho da dor, da perdição, do pecado e do desgosto, sofrendo e aborrecendo a outros. Por isso, os bons prazeres nesta existência precisam ser vividos, deixando de lado “os maus prazeres”.

O dialogo franco aberto com os jovens era para que os mesmos conseguissem ser alguém na vida, tinham que remover do coração o desgosto, e da carne a dor, porque em um dado momento além de ter que prestar contas aqui na terra, teriam que se apresentar frente a Deus que tudo sabe e tudo vê.

Quer na época de Salomão quer na gestão politica atual, a flexibilidade e o diálogo são o grande desafio para proporcionar os bons prazeres da vida e valorizar a vivência entre os jovens de nossa região. Portanto a parceria juventude e poder público local são a grande “sacada” para romper os açudes que levam ao imobilismo, empobrecimento, injustiça e à instabilidade social-jovem. Em suma, parafraseando a frase ambígua de Luís Vaz de Camões, grande poeta Português de tanta beleza e expressão: “Navegar é preciso, viver não é preciso”, digo, eu, viver e dialogar é preciso. Gildo Lopes é pastor da Igreja Presbiteriana de São João Batista.
EQUIPE DE REDAÇÃO DO BLOG DA AGÊNCIA DE SJB

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