São João Batista relembra os 52 anos da maior tragédia marítima do Maranhão, vejam depoimentos

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Porto da Raposa

O município de São João Batista relembra, hoje dia 27 de outubro, um dos momentos que marcou a história. Hoje relembramos o naufrágio da Lancha “Proteção de São José”, na Baia de São Marcos, Litoral Maranhense. Por isso é feriado municipal. Reproduzimos um texto escrito pelo professor Batista Azevedo, que relembra momentos importantes da maior tragédia marítima do estado.

‘O dia era 27 de outubro. O ano era 1965. Uma terça-feira. Naquela tarde-noite muitos eram os passageiros que se dividiram nas três lanchas que estavam ancoradas no Porto de Raposa. Naquela época o Porto de Raposa era um grande escoadouro de mercadorias e um dos mais movimentados da região, pois por ali transitavam muitos dos comerciantes dos municípios de São João Batista, São Vicente de Férrer, Matinha, Cajapió ou mesmo quem estivesse por ali só de passagem e que desejassem chegar até a capital do estado, São Luís, por via marítima.

Naquela terça-feira três lanchas estavam presas aos seus ancoradouros: Fátima, Maria do Rosário e a Lancha Proteção de São José. Todas estavam com suas lotações completas, fato que era comum naqueles tempos. Quase sempre excediam suas capacidades, pois era intensa a movimentação de cargas e passageiros. Ao zarparem do Porto de Raposa, juntas, seguiram com destino à capital do estado. O enfrentamento do mar aberto era uma tarefa para mestres experientes. A escuridão da noite punha à prova a coragem de quem sabia e de quem nem tinha a ideia do quanto era perigoso aquela travessia.

Mesmo assim, entre grunhidos, cacarejos, vozerios e o ensurdecedor barulhos dos motores, a viagem seguia. Até que de repente, não mais que de repente, na altura da localidade Tauá Redondo, já próximo do Porto de Itaqui, em plena baia de São Marcos, a tragédia. A lancha Proteção de São José chocou-se com uma croa, que na linguagem dos embarcadiços era tão somente arrecifes de pedras. Em questão de minutos a lancha partiu-se, proporcionado a maior tragédia marítima, até hoje, ocorrida no Estado do Maranhão. Mais de uma centena de mortos entre homens,  mulheres e crianças. Poucos foram os sobreviventes. Fora um dia de luto estadual.

Pedinho Duarte, um dos sobreviventes

Alguns poucos sobreviventes, ainda vivos, estão a lembrar do maior naufrágio da nossa história. Pedrinho Duarte e sua esposa Dona Marinete, que inclusive foi a única mulher a se salvar, perderam a sua primeira filha, que nem tinha ainda dois meses de vida. Entretanto salvaram-se perdidos um do outro. Pedro de Geraldo e Sandáia (já falecidos), Batista de Pacherá e Quidinho, também, são alguns dos que tiveram a sorte do salvamento.

E assim, naquele fatídico fim de noite de terça-feira, de 27 de outubro de 1965, São João Batista chorou seus mortos. Desde então se reverencia a memória daqueles que sucumbiram nas águas da baia de São Marcos, na maior tragédia das embarcações. E já se vão 46 anos.Entre os mortos, uns mais, outros menos conhecidos. Aragão, Nicanor Gaspar, Zulmira, Nenén Lisboa, Vavá, estavam entre os mais conhecidos. Na legislatura de 1989 – 1992, por iniciativa do então vereador Zezi Serra, foi sancionada a Lei Municipal que tornou o dia 27 de outubro, dia do naufrágio da lancha Proteção de São José, como feriado municipal. Texto: Batista Azevedo. Mais informações sobre o caso AQUIAQUIAQUIAQUIAQUIAQUIAQUI e AQUI.

4 Comments

  1. Nao consigo ler essa historia sem chorar.

  2. Folha de SJB removeu este comentário

  3. Que dia triste…, a 52 anos passado centenas de pessoas morreram sob as águas; muito merecido este feriado, para os joaninos lembrar dessa terrível tragedia que marcou o maranhão. principalmente a baixada louvável essa atitude em sancionar esse data como feriado em memoria de todos os filhos de nossa cidade, que foram vitimadas por essa tragedia.

  4. Reportagem de grande valor. Ainda adolescente, senti a dor da perda de amigos de São Vicente Férrer, nesta Tragédia.
    Recordo que um ateliê na Rua Grande, em São Luís, o talentoso artista Garcez, pintou um quadro que retratava o naufrágio de uma lancha mostrando o desespero dos náufragos.
    A exposição do quadro ao público, virou comoção da população. O artista, muito sensato, resolveu tirar da exposição seu trabalho.

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