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LAGO DO COQUEIRO SOFRE COM ESTIAGEM E É DESTAQUE EM JORNAL

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A atração maior de São João Batista e parte do município de Olinda Nova do Maranhão está compreendida numa vasta área aquática da chamada região dos Campos e Lagos. Partindo-se da sede, toma-se uma estrada de piçarra e, após cruzar os povoados de Gameleira e Itaparica, chega-se ao decantado Lago dos Fugidos (conhecido atualmente como Lago do Coqueiro). Na verdade o lago não pertence territorialmente a Olinda Nova e sim ao município de São João Batista, contudo, é mais utilizado pelos moradores de Olinda, que o têm como seu.
O lago representa a principal fonte de renda da população local, que sobrevive à custa da pesca artesanal e da lavoura. Possui uma área total de 3.5km² e profundidade que varia entre 1.5m e 2m. A denominação de Lago dos Fugidos remonta aos tempos da escravidão, como explica seu Domingos Caúna, nativo de 82 anos, e que mora em Itaparica, “pois para ali se dirigiam os escravos que fugiam do cativeiro das fazendas próximas. O local sempre foi rico em alimento, propiciando alimentação não somente pela abundância de peixes, mas também em decorrência da caça de animais silvestres, tais como a jaçanã, marrecas, a japeçoca, o tatu, a paca, a capivara e a lontra, que não existe mais por aqui”. 
Além dos escravos, para ali também se deslocavam homens que se recusavam a participar de guerras, e ainda malfeitores. Há muitos anos atrás, uma família se instalou numa das pontas de terra ali existentes, plantando, no local, vários coqueiros. A família armava suas redes nas árvores enquanto pescava no lago. Com o passar do tempo, os moradores passaram a denominar a área como Lago do Coqueiro.
BÚFALOS – INIMIGOS DOS PESCADORES
Atualmente, a população local informa que a quantidade de peixes no lago diminuiu bastante, devido à pesca predatória, ao assoreamento das margens e à contaminação da água, principalmente causada pela introdução de búfalos na área. O lago recebe a pressão não somente de pescadores de Olinda Nova, mas também de municípios próximos, tais como Viana, Penalva, Matinha, São Vicente de Férrer e São João Batista, dentre outros, o que incomoda bastante os pescadores locais. O lago está pressionado por grande quantidade de búfalos que se concentram nas suas margens ou nas suas águas, o que impede o consumo da mesma por parte da população em razão da contaminação.
Segundo a pesquisadora Cristina Bernardi, na sua dissertação de mestrado intitulada “Conflitos Sócio-Ambientais decorrentes da bubalinocultura em territórios pesqueiros artesanais: O Caso Olinda Nova do Maranhão”, “no verão, o rebanho bubalino se desloca à procura de alimento e água a outros municípios, como Penalva e Viana; esses animais, em função do seu elevado peso e força, geram grande impacto mo ambiente, abrindo os chamados igarapés, ou seja, extensos canais nos campos inundáveis. Quando há elevada quantidade de búfalos para um volume reduzido de água, pode ocorrer um desequilíbrio no ecossistema aquático, a eutrofização (processo no qual há o aumento excessivo de nutrientes, especialmente fosfato e nitrato, o que provoca o crescimento exagerado de certos organismos, como algas e plantas aquáticas), com redução de oxigênio dissolvido na água, podendo causar desestabilização do equilíbrio desse meio”. A decomposição de matéria orgânica pode levar à mortandade de peixes. Em vários pontos do lago existe grande quantidade de algas e de plantas aquáticas como o pajé, o que indica sério dano ambiental.
Dados de 1990 apontavam o Maranhão como o segundo maior detentor de rebanho de búfalos do país, e Olinda Nova o município com o segundo maior contingente da Baixada, com 15% do percentual total do Estado, o que é considerado elevado em relação ao território do município. “Como se sabe, as leis são vigoradas mas não são cumpridas, é só ver o caso da lei que diz que os búfalos deveriam ser criados presos, mas não estão aí destruindo tudo? Antes dos búfalos, tinha muita ave por aqui, como a marreca, o carão, o gueguéu, a jaçanã, o pirulico – que se escondia no junco e era fácil de ser caçado, durante o verão – depois que o gado búfalo entrou não ficou mais junco, não ficou mais taboa, não ficou mais o guarimã, não ficou mais nada, até nos poções, onde se encontrava peixe no verão o búfalo pisa tudo e o peixe sumiu; eles destroem também os pés de aninga, que é onde o peixe se esconde para fugir da rede de pesca, e o prejuízo é grande. O aningal também é a casa do peixe, já que a gente considera que a casa do peixe não é só a água; em cima do aterrado fica também a capivara, o jacaré, até o tatu, e o búfalo vem destruindo tudo”, informa seu Reinaldo, presidente da Colônia de Pescadores Z-58, de Olinda Nova do Maranhão.
Não existe um Plano de Manejo para a criação dos búfalos e, nos últimos anos, os latifundiários começaram a construir ilegalmente cercas nos campos da APA – Área de Proteção Ambiental da Baixada Maranhense, o que tem ensejado a ação do Ministério Público. A introdução dos búfalos na região teve início na década de 50 do século passado, e cresceu absurdamente desde então, gerando conflitos e causando destruição, com claro prejuízo à atividade pesqueira artesanal. Os pescadores usam apetrechos simples como redes, espinhéis, socós (para a pesca dita de choque) e landuás, e se utilizam de canoas e de cascos movidos a varas (marás). São encontrados ali a traíra, a piranha, o piau, a piaba, o jeju, o acará, as curimatás, os cascudos, os pacus e alguns surubins. A pesca é para consumo familiar, e o excedente é repassado a baixo custo, tanto para Olinda Nova quanto para municípios vizinhos e até para São Luís.
POTENCIAL ARQUEOLÓGICO
No lago, existe um local conhecido como Casca de Coco, onde se encontram fragmentos de coco babaçu em grande quantidade, a cerca de 1 metro da superfície, o que indica atividade humana no local, em tempos idos. Da mesma forma, várias pontas de paus, chamadas pelos nativos de esteios, alinhadas, indicam uma possível base de sustentação para construções, provavelmente de origem indígena, acima da superfície, o que nos remete às famosas estearias existentes em Cajari, Penalva e adjacências e descritas por Raimundo Lopes no livro “Uma Região Tropical”. Diz Lopes que “esses esteios evidentemente só podem ter sido suportes das habitações, de que desapareceram a superestrutura e os acessórios da construção”. Moradores do Lago dos Fugidos também se reportam a objetos cerâmicos e até de louças encontradas na área.
Seu Domingos Caúna, a mais expressiva memória oral da área, nascido e criado na beira do lago a 17 de abril de 1928, também se refere a ele com reverência. Cordelista, assim se expressa sobre o local: “sobre o Lago dos Fugidos / eu peço uma proteção / eu peço que as autoridades / tomem boa direção / para evitar este crime / da grande devastação / e aqui ainda respiro / com uma vida precária / sem ter onde trabalhar / devido à força hereditária / dos ricos cercando os campos / sem haver reforma agrária / a outra coisa primária / que me deixa admirado / em Olinda Nova do Maranhão / eu digo e dou atestado / que as palmeiras são devastadas / e o campo todo é cercado / o povo que vive do pescado / já perdeu a direção / para pescar e botar roça / não existe condição / o jeito é ir para a cidade / para não ser marginal ou ladrão /esta é a maior contradição / do Maranhão de escritores / pois precisam de apoio certo / os pobres lavradores / que estão no sofrimento / sofrendo as maiores dores”. O Lago dos Fugidos, ou Lago dos Coqueiros representa mais um local de grande importância ambiental do Maranhão, e que pode ser viabilizado turisticamente. A preservação do local exige ação mais efetiva por parte do poder público, em defesa deste maravilhoso potencial ecológico e paisagístico ali existente.
Saga do lago inspira espetáculo
Um espetáculo de dança está sendo elaborado pelo Programa de Formação em Arte e Cultura da ONG Formação, que possui atuação na região da Baixada Maranhense, procurando chamar a atenção da população para a importância do lago e agindo diretamente na melhoria das condições de vida dos jovens do município. O nome da performance cênica será justamente Lago dos Fugidos, e terá como eixo temático as lendas e mitos ali existentes, além das desigualdades sociais verificadas no município, especificamente na região dos campos e lagos. Com informações do Jornal Pequeno. Imagens Blog SJB em Foco

EQUIPE DE REDAÇÃO DO BLOG DA AGÊNCIA DE SJB

One Comment

  1. Ai foi uo essa reportagem….
    Fiquei revoltada!
    Beijo da bicha Wesley, a monete!

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